Sem dúvida, o momento mais baixo e tocante de toda a história da música ocorreu durante o MTV Video Music Awards de 1992.
Chris Farley atira seu baixo em direção ao infinito, no I'm not gonna crack de Lithium, e acerta em cheio o próprio cocoruto, sendo acometido por espasmos de dor. Patético.
Comoção semelhante do público só foi registrada quando Johann Sebastian Bach ateou fogo às partituras dos concertos de Brandemburgo e urinou na peruca em pleno palco, durante uma apresentação para a nobreza escandalizada.
As razões que levam músicos com algum recurso monetário, especialmente os de bandinhas rebeldes e cheias de atitude, a destroçarem seus instrumentos em espetáculos parecem-me óbvias, contudo o pudor me as impede de enumerar.
Talvez reste o consolo de que, uma vez espatifados os instrumentos, o show não pode continuar. Mas não para mim.
If you prick us, do we not bleed? If you tickle us, do we not laugh?
If you poison us, do we not die? And if you wrong us, shall we not revenge?
Anuncio a fundação, hoje, da primeira Kong do mundo destinada a reciclar instrumentos esborrachados em palco. Estas vítimas do sistema serão transformadas em tacapes e engenhos perfuro-cortantes, com que atingiremos estusiasmados qualquer musicista na iminência de causar danos irreversíveis a instrumentos mais.
Talvez executemos até alguns ataques preventivos. Ao som de Wagner.
Com o sucesso inevitável da empresa, passaremos também a recolher panfletos e galhardetes, por definição inúteis, a fim de fazer o que Groo faz melhor.
Posted by mozart at September 14, 2004 1:57 PM