Não só o corpo fala, como geralmente cospe no chão e conta piadas vis.
De acordo com especialistas, nossa linguagem não-verbal contribui com cerca de 50% do que pretendemos comunicar. E a tonalidade da voz expressa 38%, enquanto as palavras somente 7.
Conclusão: vamos ganhar dinheiro dos executivos. Parece-me óbvio que preferirão aprender a gesticular e fazer carinhas à idéia de um futuro vago e distante em que dirão algo de útil.
E é claro que estão certos. Assim como o grau de cidadania de um país é quantificado pelo número de faculdades de direito, e os casos de malária ou repasse de e-mails são inversamente proporcionais ao IDH, a mera noção de que as palavras cumpram um papel mínimo na comunicação humana indica a qualidade desta -- e, por extensão, do homem.
Não vejo outra maneira de explicar a desimportância do conteúdo sem desqualificá-lo. Nunca soube de um teorema demonstrado com uma inclinação de rosto, ou de uma reação química compreendida porque a monitora levou a mão à nuca. Imagine um advogado cujo argumento seja: "olhe a cara deste homem! como poderia ter feito isso? olhem em seus olhos!" (corta para Rodney Dangerfield com um passarinho no ombro...)
Mas ok, existe uma outra interpretação para o fato, que não reduz a humanidade a um macaco de chapéu: a consciência de que o homem é mendaz, e a mentira anima a matéria. Algo difuso e incerto sobre não se poder confiar no próximo, daí nos prendermos, primeiro conscientemente, mais tarde por instinto, a detalhes. Mas é mentira. Como, aliás, as estatísticas.
Muitas e humanas são as formas de excreção.
Posted by mozart at September 17, 2004 11:33 AM