March 26, 2005

Campeão de bilhar, inventou o salva-vidas e escreveu livros

Este foi Sir Arthur Conan Doyle, de quem li apenas três livros -- investindo nisso, certamente, menos tempo do que o despendido jogando Scotland Yard na infância.

Meu irmão diz que as histórias de Sherlock Holmes valem por alguns casos curiosos, inteligentes, mas isso é óbvio, é o que se espera.

As histórias de Sherlock, à parte os casos esdrúxulos e as ilustrações, valem por um motivo: o detetive tabagista do chapéu engraçado; tão compenetrado em seu ofício, que não se importa com pormenores irrelevantes como o Sol girar em torno da Terra ou o contrário.

Quando o Sherlock sai de cena, perdemos sua genialidade e espírito-livre, para ficarmos apenas com o pau-mandado Watson. É uma diferença muito grande. E é necessário um esforço quase sobrenatural para continuar lendo, não morrer de enfado. Salvam-nos o rum creosotado e alguns personagens excêntricos interessantes.

O dr. Watson é mais que insípido, é uma espécie de Dedé ou Tom Cruise com tempo de cena demais, é insuportável. Se o contraponto de Sherlock fosse um bom personagem, seus livros seriam uma maravilha, mas...

Mas se as histórias de Holmes não são o que poderiam, ao menos são bem melhores que a outra dupla famosa: as de Dom Quixote, do qual só se salvam as figuras. Especialmente as figuras em livros para menores de seis anos, tridimensionais e com peças móveis.

Ah, sim, há ainda as cartas de recomendação, claro! Quando a obra-prima de um idioma só vale pelas ilustrações e os já repetitivos prefácios, a gente fica pensando. Orgulho de ser brasileiro.

Posted by mozart at March 26, 2005 1:38 PM
Comments

Bem, depois que ele ressuscitou Sherlock, imagino que seja capaz de qualquer coisa.

Posted by: mozart, o falcoeiro at March 30, 2005 12:58 PM

E você precisa ver as trapalhadas do Sir Doyle do lado de lá... ele é *o* morto muito louco... ^^

Posted by: Elton at March 26, 2005 2:00 PM
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