Filho de um inspetor de abatedouros, e criado por um açougueiro quando viu seu pai encarcerado por apoiar Napoleão, está na cara que não seria a genealogia que consagraria Gioacchino Antonio Rossini (1792-1868).
Tampouco as relações com músicos seus contemporâneos. Diz-se que num encontro com Ludwig nuts Beethoven, este, longe de exaltá-lo, recorreu a várias ironias, aconselhou-o a compor mais Barbeiros.
E Rossini realmente compôs muitas óperas rasas, embalado pelo sucesso e pela necessidade de vinho, geralmente finalizando suas basculheiras às vésperas da estréia, para desespero e calvície de empresários e copistas.
La Gazza Ladra, por exemplo, foi concluída no sótão do teatro, na madrugada da noite de estréia, onde o diretor o aprisionara. E o próprio Barbeiro deve parte do sucesso à preguiça, já que Rossini surrupiou a abertura de uma outra ópera que compunha...
Exemplo final de sua preguiça e mau caráter, talvez, seja a grande ópera Guilherme Tell. Que recusou-se a terminar, até que a Academia Francesa, patrocinada pelo Rei em pessoa, lhe oferecesse um excelente contrato.
Assinou-o, para que pudesse evitar a fadiga, além de vingar o pai. Em vez de compor, monsieur Crescendo só fazia dar festas e engordar. Um ultraje. Mas, por incrível que pareça, foi justamente assim que o compositor-gastrônomo fez sua maior obra, revolucionária, que o tornaria conhecido em todo o mundo: o tornedor.
Quando o aristocrata do populacho pediu para colocar, sobre um filé, escalope de foie gras e lâminas de trufa, molho madeira, o maître do Café Anglais, em Paris, ficou tão estarrecido que serviu o prato dis costas para o salão -- não queria passar vergonha.
En tournant le dos, virando as costas. Que hora que é a merenda? Fortunatissimo per verità. Direto do túnel do vento.
Posted by mozart at April 5, 2005 2:32 PM