May 29, 2005

Os piores esportes da tevê

Golfe: primo rico da sinuca, porém com jogadores tão bem vestidos quanto. Popular entre ricaços e pessoas da moleza idade. Por que seja considerado esporte é mistério maior que a construção das pirâmides ou a santíssima trindade -- os praticantes não se dão sequer ao trabalho de caminhar. A versão infantil inclui riachinhos e cataventos.

Pôquer: carteado high-society. Pertence à mesma categoria desportiva do anterior, mas com a desvantagem dos atletas se considerarem malandros, e de exibirem frequentemente partidas entre celebridades da tevê.

Luta-livre: vale-tudo em que é proibido bater de verdade; sobre o teatro, guarda a vantagem de não ter falas. Seus praticantes são homens de meia-idade, que fazem coreografias em maiôs ridículos, sobre um ringue cheio de molas -- e é natural que sejam por isso endeusados. A luta termina quando um deles retira a cadeira debaixo do tablado e acerta seu adversário pelas costas. O árbitro, geralmente cego ou mal intencionado, representa a injustiça da vida.

Fórmula 1: corrida entre carros que consagra os passageiros, e na qual são ilegais as ultrapassagens. A categoria, conhecida como circo, envolve milhões de dólares anualmente -- e severas mudanças de regulamento, para que os investimentos não sirvam pra nada. Apesar disso, a importância do piloto tem se reduzido a olhos vistos, e tanto, que hoje sua função principal é emagrecer em relação ao início da temporada. Só vale pelas garotas no paddock. Entre máquinas, prefiram o combate de robôs, que é mais castiço, e ainda conserva a possibilidade de ver explosões, fogo, peças indo pelos ares.

Futebol: vinte e dois idiotas correndo num gramado, com o QI estampado nas costas. O esporte mais popular do mundo só poderia ser o mais estúpido, no qual os campeonatos fazem tudo, menos cumprir sua função -- definir a melhor equipe. Mais imbecil que a lei do impedimento são as torcidas organizadas, compostas por qualquer um que não saiba soletrar o nome de seu time, mas esteja disposto a morrer por ele nas arquibancadas.

Posted by mozart at May 29, 2005 11:11 AM
Comments

Quevedo, Galvão Bueno é um gênio, dos poucos que este Brasil produziu. Clique em meu nome, logo abaixo, caso tenha esquecido.

Sim, é verdade que o obriguei a tirar o som da tevê naquele churrasco, na semifinal do campeonato de Fórmula 1, mas é porque o coração é fraco, e eu fico muito emocionado.

Posted by: mozart (meu nome) at May 30, 2005 8:10 PM

Hãã. Isso explica porque os pontesquerdas são sempre mais espertinhos que os goleiros...

Posted by: mauro at May 30, 2005 7:37 PM

com ou sem a narração do Galvão Bueno?

Posted by: Quevedo® at May 30, 2005 7:27 PM

A definição não é minha, razão por que está em itálico, creio que seja um dito norte-americano. Também a considero perfeita, não dá para melhorar.

Posted by: mozart at May 30, 2005 12:39 AM

Senhor Mozart, vim comunicar que vou por essa definição de futebol no meu blog, claro que direi que és o autor e colocarei seu link. Essa sua definição foi perfeita. Mas se por ventura, não permitires, eu tiro.
Não vou dizer que você é o cara por que dizem que comeram o cú do cara, mas você é 10.

Posted by: J. Alencar at May 29, 2005 11:07 PM

mozart, tu é o cara!

Posted by: leonardo at May 29, 2005 12:09 PM
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