Segundo Frank, um famoso historiador, o homem primitivo acreditava no poder mágico da palavra, que houvesse uma relação biunívoca entre termo e objeto, que conhecer o nome d'algo seria dominá-lo. Ou pelo menos tirar uma casquinha.
Pra variar, os antigos estavam errados. Mas, porque me convém, prefiro crer que haja um fundo de verdade nessa história toda, que o nome seja uma das chaves da fortuna, e por isso conclamo a nação a alterar o nome de nosso torrão, publicando o seguinte
Manifesto Brasil Nunca Mais:
Quando Júlio "todos os esgotos levam a roma" César invadiu a costa da Grã-Bretanha (ui), pensou que aquela obscura (noffa) região seria apenas mais uma presa fácil. E foi mesmo. Mas foi lá, também, que César que cometeu seu maior erro, tirante aborrecer o Senado com longos discursos: alterou o nome da região.
E como demonstram a história e a numerologia, foi então que os pretani, ou pretões, passaram a crer nas próprias virtudes. Resultado: nem dois mil anos depois já estavam dominando o mundo. E ainda arranjaram tempo pra inventar o sapateado e o jogo de futebol -- sem dúvida, as maiores criações humanas.
Mas tergiverso; o ponto é que Brasil não deu certo. Por que então não voltar às origens, usar o termo de quando nossa terra era mais garrida, e nossa vida, mais amores?
Nada de Pindorama, claro, essa invenção de antropólogo metido a linguista. E muito menos Misr, provocação barata de argentinos e grupos de axé-music. Mas o nome pelo qual, do Oiescroque ao Chuí, nossos pais guaranis chamavam à Deusa Terra, em suas imprecações diárias: Burma. Ou, em bom tupi, Birmânia.
Confira comigo no replay: Birmânia, é dela a camisa número dez. Uma terra pra se amar, uma grande civilização, com método seguro de evitar a contravenção. Incha o peito e solte o grito da garganta: Brasil nunca mais! É hora de darmos as mãos e construirmos uma nação de verdade. Se não der certo, tudo bem: nós sempre teremos Ubatuba.
Posted by mozart at July 9, 2005 12:08 AM