À meia-noite de sexta pra sábado, no Espaço Literário Sebiolexia -- garagem na esquina da rua Travessa com o acesso à Av. Alameda --, o prosopoeta Zé Ribeiro lançará sua mais nova experiência literária, o livro "Aguia de Ouro". Um repórter cujo carro enguiçou no local, desesperado por uma matéria, entrevistou o dono de sebo e dublê de escritor.
Folha das 5:60 - Zé Ribeiro, por que o senhor escolheu o mesmo horário do lançamento do novo livro da série Harry Potter?
Zé Ribeiro - É preciso que alguém se oponha a este atraso capitalisterário. E eu o faço de modo sublime. Além disso, eu estaria trabalhando mesmo com a banquinha do cachorro-quente, então resolvi unir o útil ao agradável.
F.5:60 - O senhor faz idéia de quantos livros irá vender?
ZR - Faço: zero. Mas não serei a primeira nem a última vítima da ignorância alarmante de nosso povo. E se tive de bancar a tiragem com o suor do meu rosto, ao menos eu me sinto realizado. Se é pra melhorar o Brasil, dou de graça a quem se interessar.
F.5:60 - Isso aqui é chamex?
ZR - É, e usei Arial 7 pra economizar. A prefeitura não quis dar apoio, mas eu tenho um amigo na Câmera de Vereadores e ele me arrumou espiral pra 200 volumes.
F.5:60 (folheando um exemplar, num misto de nojo e espanto, com arroubos de entreguismo) - Há várias partes de seu livro com, hã, linhas pontilhadas. É este um dos recursos e experiências a que o senhor se referia enquanto eu propunha publicar a entrevista em troca de um exemplar de "O Cortiço" pra minha filha vestibulanda?
ZR - Exatamente! É genial. As partes em branco conferem universalidade. Mas, com a inclusão da linha seccionada, o leitor tem a oportunidade de completar ele mesmo as sentenças, dando um caráter totalmente particular à obra. É o átomo e o cosmos na mesma página.
F.5:60 - (sem falar que gasta menos tinta...) Ok, ok. O senhor gostaria de oferecer algum recado à jovem geração de escritores deste país?
ZR - Não desistam nunca. Quando eu comecei, fui ridicularizado por minha mulher. Depois eram os vizinhos quem debochavam de mim, e até induziam seus filhos a me picharem a porta da garagem. Mas agora eu estou no jornal mais lido do país, quero ver se alguém mais terá coragem de rir de mim. Se eu consegui, qualquer idiota consegue.
Posted by mozart at July 13, 2005 6:01 PMSó esqueceu de colocar a figura do crítico renomado (cujo nome nós nunca ouvimos) que inclui a obra entre as 10 melhores obras lançadas do mês de julho de 2005, de escritores que estão na comunidade do Orkut "Fomente Literatura Com Dinheiro Público Você Também"
Posted by: Leandro Oliveira at July 14, 2005 10:45 AM