"Eu andava em preocupações até o ponto de ônibus outro dia, parei na banca pra comprar um chiclete anti-stress da Souza Cruz. Na pressa, peguei a primeira coisa artificialmente colorida que vi, e, surpresa, era uma revista semanal! Cheinha de fotos das notícias da semana passada, colunas ilustradas; uma suruba holística de fotolog e semanário, tudo a preço de ocasião. Eu fiquei meio desconfiado, mas pensei 'bah, se eles estão cobrando deve ser bom; eu ia gastar isso com puta sifilítica mesmo, vamos ver se é melhor -- e a resposta é não'." [http://tensologoexisto.blogspot.com]
Isso foi no distante 6 de agosto de 1995, quando blogs de todo o mundo comemoravam os 50 anos da verificação experimental de Hiroshima publicando teorias conspiratórias absurdas. Exatamente dez anos depois, vemos que por alguma desrazão exótica houve um boom, e as revistas semanais mostraram não ser apenas mais um pezinho bonito em Angola, que chegaram pra ficar. E são mais que um Misto de flogs e semanários: têm dicas de filmes, folheto do Itaú, entrevistas exclusivas...
O modelo que norteou a indústria foi a Time, cujo nome indicaria a sincronia a seu tempo. A revista se diz informativa, apesar de ninguém jamais ter saído de tal leitura minimamente informado sobre coisa nenhuma, mas ela tenta prová-lo estampando notas de teor duvidoso sobre "os principais fatos da semana" -- mescladas com pequenas basculheiras, que ninguém é de ferro, e uma cruzadinha vem sempre a calhar.
Num mundo conspurcado por informação e burrice - além dos banhos de sangue usuais -, nada mais natural que se caísse em tal conto-do-vigário. E tal foi o baque, que o modelo se alastrou (foi plagiado) mundo afora, com as virtudes de uma sidra: sempre que se julgava decapitá-lo, geravam-se variantes mais resistentes. Ou isso é a hidra?

emprego para uma nova geração de analfabetos...
Qualquer que seja a figura mitológica, o caso é que as revistas pouco a pouco se tornaram os reis-magos da informação, cada qual trazendo sua interpretação dos fatos presentes a um nicho sedento pela razão -- i.e.: por estar com a razão --, tais como esquerda, direita e contramão...
Segundo o revistólogo Zinéfio Tamborindegato, o modelo informativo foi tão bem acolhido, que agora se admitem cousas outras que não o cotidiano. Há revistas mensais sobre história, futebol, química, pornografia, acidentes no trabalho. "É o futuro", sorri o estudioso, enquanto me despeço e um negão especialista em informação adentra seu lar.
Posted by mozart at August 8, 2005 10:02 AM(Rindo até agora com o "folheto do Itaú".)
Posted by: Ruy at August 8, 2005 10:44 PMTine é sincronia com o tempo?
pensei que fosse sobre futebol...