Desde que decidi atravessar o Atlântico a remo, tenho me inspirado na vida dos grandes vultos dos anos 70 que esta humanidade de meu Deusu produziu: os santos.
Mais que mera inspiração, me ensinaram a respirar corretamente. E por isto faço como o brutamontes de À Espera de Um Ménage, e expiro todo esse conhecimento adiante, na esperança de que vocês se iluminem e possam realizar grandes obras -- maiores até que as de Queops ou do Paulo Maluf.
Mas como eu não sei que dia é hoje, sempre me enrolei com números, peço perdão e começo com um santo aqui de perto mesmo:
São Sebastião (1500 e alguma coisa -- 1960): andava seminu pelas ruas do centrão, e vivia levando flechada. Supõe-se que pontuasse toda frase, toda oração, com um mínimo de cinco ou seis palavrões, e sambasse com incrível desenvoltura. Mais não sabemos.
O Santo do Dia (ii)
Comida em lata (1809 - anos 90): criada para diminuir os custos da Marinha, através da prerrogativa governamental de matar seus súditos. Ninguém discute que ela fizera coisas grandiosas no passado, mas a verdade é que nos mil e oitocentos tudo que prestava já fora descoberto, e séculos de nepotismo depois, o único jeito de acabar com o rombo náutico no orçamento era envenenar o pessoal.
O sucesso foi imediato, espalhando-se por todo o mundo, e atingindo especialmente alguns bem-intencionados dos infernos, que gastaram os tubos tentando encontrar um continente gelado imprestável.
Mais tarde, junto com a água fluoretada, a latinha seria elevada a ícone pop, logrando êxito inaudito em campanhas humanitárias e no controle do crescimento da população.
Na década de 90, resolvidas estas questões vitais, a lata foi sistematicamente trocada por caixinhas. Exceto no caso da cerveja, é claro. Para enganar as baixas castas com formas ineficientes de ascensão social. E porque caixa de cerveja todo mundo quer, mas cerveja em caixinha é uma fria - e olhe lá!
O Santo do Dia (iii): Solucionáticas
Agora que o manguato do PT se aproxima do fim, devemos refletir sobre seus fracassos sutis e suas conquistas acintosas, para que escolhamos o futuro com virtude.
Primeira Questão: é o Parlamentarismo superior ao Presidencialismo?
Resposta: não. O Parlamentarismo é a teologia de nossos intelectuais, a planta miraculosa de seus sistemas de feira mental. Ou seja: é de uma obviedade evidente que esteja errado. Procurem no google por "parlamentarismo é estúpido", ou tolo, idiota etc etc. A completa ausência de registros prova de modo irrefutável sua natureza abjeta.
E não me venham falar em estabilidade. Céus, mais estável que o Brasil, nem o próton, nem um moto-contínuo, nem mesmo a viúva de Garrincha. O Brasil não entra em guerra nem pra tirar fotos, é incapaz de encontrar meia dúzia de separatistas, não sabe nem amarrar o cadarço. Nunca fez nem vai fazer coisa nenhuma.
Por mais confusão que inventem, o país seguirá muito bem, obrigado. E na verdade, as marolinhas de tensão até que geram bons resultados. Não haveria Real sem a queda de Collor. Quanto mais malham o analfabêbado, de menos tempo dispõem ambas as partes pra se dedicarem à extrumeira. E se o dr. Lecter não tivesse escapado, a indústria perderia três filmaços.
Já da tradição me recuso a falar, porque tradição é mais fácil de falsificar que texto de Shakespeare ou nota de três... Digo, porém, que é legal poder anular o voto pra presidente. Ou se usarmos o jargão científico: Presidencialismo é massa, Parlamentarismo é paia...
Parlamentarismo, só com uma condição: poder direto. De preferência com uma constituição redigida por mim, e só se for depois. Até lá, calem a boca e vão me comprar uma balança e um pato, que eu tenho dois poderes pra julgar.
Segunda Questão: três poderes? Prefiro o mercado guanabara, mas cê que sabe.
O Santo do Dia (iv): Copos Descartáveis
Mas todos já os conhecem e veneram, então passemos pro reserva:
Bentinho (1960-1899): historiador suburbano traído por todos que lhe eram caros -- da mulher ao ponta-esquerda, passando pela crítica americana, os amigos e a teologia. Em idade já avançada, foi tomado por um espírito maligno, com o dobro de seu QI e estilo muito mais sofisticado. Ainda tentaria unir as duas pontas da vida, mas no fim percebeu que não havia ninguém na área pra cruzar.
Frases Célebres:
"Vivo era feio; morto pareceu-me horrível."
"Você tem razão, Capitu, vamos enganar toda essa gente."
"Publicar planos infalíveis que exijam perseguições, quebra-pau, escravidão, impostos (impostos!) e um banho de sangue, vale. Publicar sátiras destes doutrinadores, não. Tá bão então; e critérios nem pensar."
"Qualquer um que defenda, por mais tenuemente que seja, os muçulmanos na questão das tirinhas, é candidato sério a atestado de imbecil."