Com apenas quarenta anos de mora, o Brasil conquista o espaço. Os macacos foram antes de nós, os cachorros foram antes de nós, as pulgas, as baleias, as bolas de golfe, os espelhinhos, as miçangas, Beth Carvalho, Alf, Will Robinson, o PT; até os mexicanos e os geólogos foram antes -- afora o profeta Maomé e coleções de formigas diversas.

Mas agora chegou a nossa vez. Não é na base do saci, verdade, e graças a Deus. Talvez a condução seja russa, talvez o treinamento seja americano, mas o que há de mais importante vem da nossa terra: o chapéu panamá de Santos Dumont.
O quê? vetaram? Bem, ainda resta o ser humano. Campeão de toda essa gente brasileira, se esfregando na bandeira. Furando a fila e desafiando crises de abstinência do arroz com feijão, algo dramáticas na ausência de gravidade e goiabada cascão. Mas vale a pena; é o primeirão, vai Planeta!
Primeirão? Ou não?
Infelizmente, a cosmonáutica é apenas mais uma prova da ignorância do nosso povo, que canta e é feliz, mas se desdobra em reiterar o desconhecimento da própria história. Aos 15 de outubro de 1957, muito antes de Gagarin, o Brasil ô-ô já ia ao espaço.
O célebre caso Antônio Villas-Boas, agricultor, brasileiro, gente que jaz, covardemente abduzido por três seres de baixa estatura com capacetes incrementados. Que após um exame traumático e minucioso, foi convencido a fazer amor com algo, em suas palavras, "bastante parecido com uma mulher".
Deixaremos os detalhes desta cópula sórdida, pública e aberrante a cargo da imaginação do leitor, para destacar que a expedição, inédita, foi muito mais que uma mera viadagem no espaço. Quando retornou a sua fazenda, Tonico percebeu que também viajara no tempo! Sim, sim, salabim: voltara seis horas antes da abdução.
Vejam, portanto, como samos avançados -- a despeito das doenças tropicais. Muito antes das outras nações terem espasmos alucinatórios com Ícaro, dominávamos não apenas o eixo z, mas até a quarta dimensão. E não se trata de uma conquista apenas tecnológica, meus caros, há de se ressaltar o caráter altamente heróico do nosso herói brasileiro.
Um verdadeiro herói: em vez de matar seu antigo eu, criando um paradoxo espaço-temporal avassalador, preferiu a pecha de pirobo e lunático. Ou por outra: fez questão. Sempre por aí, uivando e se rebolando pra dar exemplo, esse é o povo brasileiro. Viva o povo brasileiro.


O Universo, 40 Dias Antes do Nada