Parece-me contraditório -- pra dizer o mínimo -- celebrar o centenário de uma teoria que revoga o tempo absoluto. Mas se me convidarem, eu vou.
Não seriam candidatos ao Oscar, se não fossem Ridículos.
E a estatueta é ainda mais ridícula. Pior que ela, só quem veja a maioria dos indicados, ou reúna os amigos para assistir à cerimônia.
É o meu caso, mas toda regra tem exceção. E ao contrário de meus amigos, só presto atenção aos prêmios técnicos, que, imagino, tenham o mínimo de critério.
Quem vota em filme de menina boxeadora deveria se matar. Cinebiografia de ceguinhos, estou fora. O Aviador, li ser a repeito de uma das figuras mais empolgantes do século; imagino que seja uma bela porcaria. Votaria na Primavera de Pregas, mas não indicaram.
É tão ingênuo quanto cretino supor que sete pessoas bem representem a sociedade como um todo. Afirmaria até que o tribunal do júri seja uma inverdade matemática, mas sugeririam inevitavelmente que alguém ali é café-com-leite.
Sete pessoas. E mesmo que fosse a câmara dos deputados inteira, ainda se estaria longe da perfeição, como prova Severino e a história. Pois se existe algo que a história prova, é que o homem não foi talhado para o julgamento.
A história e a fisiologia. Como já dizia o italiano desconhecido, temos vários sentidos, mas nenhum para distinguir certo de errado. E compreender a perspectiva alheia, ou o que se está querendo dizer com aquilo, nada disso é o nosso forte.
Ok, reza a lenda que Salomão fez um bom serviço, e até hoje o jovem Charlie agradece Al Pacino por sua defesa emocionada perante o diretor da escola secundária Bird, mas tomando alguns exemplos ao acaso, é fácil constatar a inépcia humana.
Caso no.1: Jesus, filho de Maria vs. Barrabás, degenerado filho da puta
Neste famoso julgamento, a população deve escolher entre (a) o filho de Deus em pessoa, que nas horas distribuía pão e vinho às classes oprimidas; (b) um criminoso vulgar da região, ébrio e assassino. Parece uma questão muito clara, mas quem o povo decidiu libertar? Nem preciso falar.
Caso no.2: A Verdade vs. O.J.Simpson
Se depois de topar com os corpos de um casal adúltero assassinado, você se depara o marido traído cheio de sangue pelo corpo e fugindo de picape, o que isso lhe parece? Exatamente: que a prova de DNA foi contaminada pelos duendes.
Caso no.3: oscar, títulos da imperatriz leopoldinense, festival da canção, a academia versus bentinho, o estado da guanabara contra a seleção paulista de futebol, e assim sucessivamente.
Seria inútil prosseguir quando tudo é tão claro. Do jeito que as coisas são, deveríamos reconsiderar duelos públicos, polígrafos e as distintas prova de ordálio. Ou pelo menos trocar o júri de sete para onze, com cinco reservas, que seria mais à nossa tradição.
Campanha mundial para que o Papa renuncie. Sempre as campanhas erradas.
Depois da traqueostomia, João Paulo II deveria dirigir a Igreja Católica, e o papa-móvel, pra sempre. Ou pelo menos até o dia do juízo.
Pois tudo que desejo a nossos representantes eleitos é uma boa e velha traqueostomia. Imagine quantos problemas e discussões imbecis isso não evitaria.
Político brasileiro, se quiser derrubar, dê uma tribuna pra ele.
Contos de fadas sem fadas há muitos; um que não envolva comida, ainda estão pra criar. Bastaria a foto de uma dona gorda e sorridente na capa, que deslocariam todos os opúsculos da seção infantil para a prateleira de culinária.
Aliás, nossas crianças estariam muito melhores lendo livros com receitas nutritivas ou saborosas. Porque, sinceramente, de vez em quando é impossível compreender que espécie de prazer ou ensinamento queiram passar nos contos de fada. Tomem por exemplo João e seu cérebro-de-feijão: se meu peito fosse um canhão, eu atiraria o coração quente do capitão Ahab contra o rapazola.
É até aceitável que alguém troque um patrimônio familiar, digamos uma vaquinha, por uma oportunidade de enriquecimento rápido, mas não que condene sua família a soltar gases por mil gerações. Se ele arranjasse um pé de dinheiro ou de laranja lima, vá lá. Mas feijão, sem sequer arroz pra acompanhar, é muito mau gosto. Parece biografia de jogador de futebol brasileiro.
Moral da história seria o João morrer de fome ou de bala perdida. Como é, só posso conceber que tenha sido redigida por algum empresário inescrupuloso, ou pelo mercador de feijões mágicos da vila.
Moral da história... em contos de fadas, são sempre os mais degradantes e os menos eficazes (rá) do mundo.
A formiga e a cigarra por exemplo. Querem nos passar a idéia terrível de que só o trabalho liberta. Mas qualquer moleque de sete anos percebe que toda cigarra sempre encontrará uma formiga CDF tola para a sustentar.
João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, é melhor nem imaginar que tipo de ensinamento estejam apregoando. Os primeiros foram abandonados pelos pais e terminaram carbonizando viva a senhora que os recolheu para alimentar; e esse negócio de querer entregar cestas por caminhos estranhos, nem vou comentar.
E pode pegar contos modernos, contos de bruxos. Em Harry Potter e a Pedra Fiofosal, descobrimos que o herói é sub-alimentado por uma família de gordos malvados.
Felizmente, um gigante bêbado e cozinheiro amador o salva. Os ritos de passagem para o mundo mágico se dão no meio de um bar-retaurante, e também num ônibus, no qual gasta uma sacola inteira em doces. Chegando em Hogwarts, há um fabuloso banquete, também num banquete se anunciam os vencedores da copa das casas etc etc etc.
Na Câmara Secreta, a comidarada se repete, com algumas pioras: vemos a miséria da família Weasley, um criado maltratado pelas classes dominantes, um basilisco e uma aranha gigantesca querendo comer e destrinchar os estudantes, fantasmas que se lamentam por não poderem comer depois de mortos; além de descobrirmos que diretor é viciado em doces fabricados por trouxas. Isso que eu me lembre agora.
No Prisioneiro de Azkaban, há ainda mais antropofagia, a senhorita Granger comendo feito um javali, cachorro com gato, gato comendo rato, e outras coisas que não vale a pena comentar. Eu nem quero imaginar que papel fundamental a alimentação exercerá no próximo filme, pra, assim como o chester natalino, não me aborrecer de véspera.
E pra quem acha Tolkien muito bom, não podemos nos esquecer da obsessão dos hobbits por lanches, e que emagrecem durante sua jornada heróica. Ou que Pippin e Meriadoc crescem enquanto pessoas ao se tornarem vegetarianos, ao viverem do floema dos Ents. Ou que a malícia de Gollum é expressa até mesmo em sua comida. E é natural que os fornos de Saruman e Sauron os convertam em personagens terríveis. É uma maçada.
Donde se deduz que a boca é a porta, a língua o tapetinho e o nariz a campainha. A orelha seria uma espécie de entrada de serviço, e o cérebro, um sótão cheio de traste velho e sem função.
Jovens altamente reacionários usam piercings à guisa de aldraba. Velhos se contentam em ignorar as rachaduras da fachada, disfarçar o telhado que descasca (talvez dando mais uma demão), além de publicarem posts sem pé nem cabeça no tempo vago.
Achicalham quem elogie os tempos de Mussolini. Pois estaríamos muito melhor com Mussolini no Planalto, em vez do que temos por aí.
Mussolini podia só ler nove páginas de cada livro, mas isso já é muito mais do que toda a experiência literária do nosso presidente.
Enquanto Lula se diverte com o dinheiro público na granja do torto, enchendo a cara e dando gordos churrascos, Mussolini era diabético, só comia sopinha e mingau frio.
O carcamano morreu enforcado em praça pública, espancado após topar com seus contemporâneos; Lula, que faz um governo ainda mais medíocre, terminará seus dias a beira-mar, tomando água de coco e sugando casquinhas de siri.
E se até para o grande Adolph trens eram brincadeirinha, Mussolini sempre os tratou como assunto da maior seriedade, de importância estratégica. Enquanto já na Itália de antanho os trens chegavam invariavelmente no horário, no Brasil temos uma malha ferroviária tão fuinha e decadente, que nos consolamos assistindo a uma mini-série da Globo sobre a ridícula Madeira Mamoré.
Ave, Mussolini, morituri te salutant!


Um amigo, isto aqui.
Se melhorar, afunda.
Mais uma vez me prosto diante do monitor e agradeço a Deus Globo pela graça alcançada.
Jovem e ingênuo, enchia a boca pra maldizer a tevê brasileira. Hoje reconheço que seria inconcebível a coexistência pacífica de homem e mulher, sob o mesmo teto, se elas não parassem de torrar para assistir por algumas horas às porcarias da Globo.
Bob Dylan, consciência e porta-voz de uma geração que desprezava, afirmava que "este é um mundo barato".
Sendo minha voz mais feia, minha consciência mais vazia, e meu desprezo ainda mais profundo, é natural não só afirmar que o mundo é baratíssimo, como oferecer alguns exemplos práticos.
Pois quem ama a esposa e deseja um casamento feliz pode consegui-lo por bem menos do que custaria um produto do Mil e Uma Notas. Basta ir a uma banca vagabunda qualquer do bairro e comprar os últimos exemplares de Caras, Novelas da Tevê ou Fatos e Fotos.
Isto mesmo: se o casamento vai mal, esqueça a balela de abrir o coração, conversar, discutir os problemas. Homem e Mulher são diferentes, e você não precisa trancafiá-la fisicamente num Gineceu, mas como nunca pensam a mesma coisa, discutir só aumentaria a confusão.
O homem sábio simplesmente estimula sua esposa a que assista à novela das seis, deixando a das oito de lado, e ela logo pára de o atormentar.
Encha-a de revistas. Dê dinheiro para que vá ao salão de cabelereiro semanalmente. Em último caso, compre o pacote 24 horas do Big Brother.
A verdade é o primo-pobre do poder de persuasão.
E, muitas vezes, uma tremenda filha da...
O uso de sutiã aumenta em 75% o risco de câncer de mama.
A vida é transcendência. É enxergar mais que o mero valor de face; atribuir importância a pequenas coisas, torná-las nossas, e portanto grandes. Tudo é transcendência.
Mas sendo ateu e debochado, é possível que isso tenha mais de um sentido.
"Ele tem presença."
Meu irmão nunca foi tão humilhado. Terá de aguentar pelo resto de seus tristes e severinos dias a exposição pública de sua única virtude.
Jovens querendo ser admirados por sua inteligência. Velhos, por seus corpos. O ser humano, depois que a gente acostuma, não troca por nada.

Nos Estados Fudidos, mais pessoas acreditam em dietas miraculosas que em Jesus Cristo. E há mesmo quem creia na existência de um segundo atirador.
O problema desta crença é a perda da idéia de que um homem, sozinho, possa fazer diferença. E, ainda mais cruel, a sensação de que nosso herói só o fez por estar em grupinhos, feito um delinquente juvenil babão. Além do problema óbvio de que o segundo atirador nunca existiu.
[mas tio Zácaro, 45, açougueiro, diz que, em se tratando de crença, a inspiração transmitida é mais importante do que uma mera existência trivial e ridícula]
Impressionante o número de pessoas se identificando como "a voz da sociedade" nos últimos dias.
Tanta boçalidade e desvios gramaticais, que cheguei a acreditar. E antevia com prazer a falência do instituto de pesquisas do ex-presidente do Botafogo. Mas, infelizmente, ainda maiores eram as contradições entre os porta-vozes, e não pude deixar de notar que havia algo errado.
Fiquei tão chocado com a desfaçatez de meus contemporâneos, que escreverei um livro-denúncia sobre o triste caso, ou pelo menos dirigirei um filme que discuta o assunto. Um samba-enredo seria o mais adequado, claro, mas pra isso é preciso talento.
Tento arranjar uma. Se todo Estado quer, deve ser importante, ou pelo menos gostosinha. Mas parece que meu deputado só distribui terrenos propícios a festas juninas, e não topo tradições líricas como a celebração da cenoura ou a missa da mandioca.
E por isso perdoamos aos "intelectuais de internet". Mas se eu tivesse garras de adamantium e fator de cura, a coisa ia ficar feia.
Por outro lado, quando se dispõe de regeneração e garras de adamantium, até missa de batismo é razão pra sair distribuindo pancada.
Oswaldo de Oliveira e Dudu Nobre, todavia, não perdoaremos de maneira nenhuma.
Jovem, me disseram que a cultura era a força opositora ao conservadorismo de Estado e Religião. Pareceu-me um pouco idiota.
E se o aumento da cultura estivesse ligado ao avanço da ciência, então estaríamos perdidos, pois a última aumenta mais rápida e eficientemente os modos de controle. Teríamos, neste caso, uma vitória inevitável, porém de Pirro.
Mas não sou pessimista. Não só é muito fácil extrair prazer do sofrimento alheio, como se por azar "você fizer o bem a outrem, fará a ti também". Basta se relacionar, portanto, que a felicidade virá naturalmente.
É de relações que o mundo precisa.
Depois daquele post sobre tráfico de bíblias, cogito com afeto a hipótese de que o rosário furtado trafegue por maliciosas rotas internacionais. Bem, enquanto não traficarem CDs do padre Marcelo Rota, estaremos todos salvos.
E li outro dia que um rei tirano da república do Butão inventou um método revolucionário pra parar de fumar*: proibiu a venda de cigarro no país. Fabuloso. Obviamente, aproveitou para fazer mais brechas na lei que os furos necessários para se preencher o Albert Hall, e agora dispõe em casa de tabaco suficiente para alimentar mil gerações.
(*) a desculpa oficial foi a de que "É para o bem-estar do povo, para proteger o meio ambiente e preservar nossa cultura."
Dizem as más línguas que o grande John Kennedy era da mesma laia: comprou um barril de charutos cubanos antes de romper relações com a ilha da fantasia. E as línguas infantis me dizem que isso não é nada diante da proibição de mascar chiclete em Cingapura.
Quero que essas línguas danadinhas todas se danem. Graças a Deus, moro num país civilizado e de portas-rotatórias, onde não há proibições tolas de nenhuma espécie.
Pois para o amor não há barreiras.
E para todas as outras coisas, existe mastercard.
Mas dinheiro que nada, avaliam de modo errado este evento. O que importa é o amor de Ronaldo Arroba e Daniela Cicarelli: amor puro, quase infantil, é o amor verdadeiro. Viva o amor! E se o dinheiro tiver um pouco que ver com isso, pra que reclamar? vivas ao dinheiro também!
Mas dir-se-á em breve que a França construiu uma cidade toda de Chantilly pro Fenomenaldo se casar, o que obviamente torna a final de 98 ainda mais suspeita. E por isso é possível avaliar o nível de geleca na cabeça de um povo tanto pelo salário dos colunistas sociais, quanto pela freqüência com que se escuta frases como A desigualdade social em nosso país é aviltante!!!
Chega um tempo em que todas as histórias, todos os diálogos, se tornam iguais. Chega um tempo em que esses mesmos diálogos, repetidos ad infinitum, não se aplicam a ninguém. Tempo de absoluto baião.
Mas não no caso de Ronaldo e Cicarelli: lá reencontramos o amor perfeito, a esperança de redenção do mundo. E embora não possuam varinhas-irmãs à de Voldemort, creio que possamos esperar grandes feitos deste casal. Ou pelo menos grandes festas.
O amor, o amor...

Não retiro nada do que disse, a menos que me provem Basílio ser o futebolista do milênio. Resultado injusto: o Corinthians foi prejudicado pelo uniforme do juiz.
Sobre o Botafogo, falaremos apenas ao fim do campeonato.
Niterói como a medida do universo.
Mas antes isso que o homem.
Nunca soube que as mansões do século XIX fossem projetadas para gigantes bíblicos. Em regime stalinista que eram feitas roupas, chapéus e prédios sob medida para o comunista-padrão. O que obviamente não dava muito certo.
Um dia todos seremos Brasília.
Eram os deuses cosmonautas?
Primeira namorada dirigindo carrinho de bebê.
Pessoas que dançam apontando.
Foi numa festa, gelo e cuba libre
E na vitrola whisky a go go
À meia luz ao som de Johnny Rivers
Aquele tempo que você sonhou
Senti na pele tua energia
Quando peguei de leve a tua mão
A noite inteira passa num segundo
O tempo voa mais do que a canção
Quase no fim da festa um beijo então você se rendeu
Na minha fantasia, o mundo era você e eu
Eu perguntava: do you wanna dance?
E te abraçava: do you wanna dance?
Lembrar você, um sonho a mais não faz mal
Soube outro dia que, nos anos oitenta, um deputado federal, sóbrio, foi ao plenário propor que se alterasse o nome de nossa moeda para o belo "mauá".
Nosso representante, de bagagem intelectual invejável, tinha uma justificativa sensacional e empolgante: ora, toda a gente sabe que moedas trissílabas sejam fraquinhas (cruzeiro, galinha, guarani), enquanto as moedas dissílabas são necessariamente fortes (libra, dólar, concha).
O Brasil, samba que dá...
O mundo é muito grosseiro.
Mas na maior parte das vezes é só idiota.
A verdade é que se em vez de uma luz vermelha, o semáforo fosse uma tela com mulher pelada, todo mundo parava.
Preferem jogar a culpa no motorista. Daqui a pouco pregam abstenção sexual e condenam as pessoas às chamas oníricas do inferno.
Fora, farol vermelho. Vinde a mim, coelhinhas do mês.
Sempre admirei em Russô que determinasse o regime de governo ideal a partir do clima de um país. Não apenas nos ensinava que a democracia é um luxo de que nem todos podem dispor, como nos dava bons argumentos para um movimento separatista.
Que ele estivesse totalmente errado, é um detalhe irrelevante, como qualquer outro ao se tratar de política -- não que eu trate disso, pois é desprazeroso, e os psicohistoriadores demonstraram que a inércia do mundo, e até do meu bairro, é grande demais pra mim.
Não rezei pelo papa. Fotos provam que esteja muito acima do peso; e se ele não se ajuda, por que eu tenho de começar a ajudar?
Mas não sou destes que se alimentam do sofrimento alheio. Nem dos que creiam o mal feito a outrem voltar-se contra o autor.
Se bem que talvez todo mundo se alimente um pouco do sofrimento alheio. Ou pelo menos foi o que li num panfleto encarnado do PSTU.
E talvez em parte o mal que façamos ao próximo se volte contra nós. Mas costuma ser apenas uma fraçãozinha, e nem demora muito. Sem falar que a coisa não é uma escada, que cada vez se desce um degrau e tal. Move-se mais às custas de mudanças de paradigma.
Mas dane-se, falemos de outra coisa.
Sonhei que eu era um dia um trocador
Dos velhos tempos que não voltam mais
Contava assim a toda hora
As mais lindas moedinhas
De meu tempo de outrora
Sinhá mocinha que entrou por trás
Se encantava com meus versos de rapaz
Qual seresteiro ou menestrel do amor
A suspirar sob os balcões em flor
Na noite antiga do meu Rio
Pelas ruas do Rio
Eu passava a cantar novas trovas
Em provas de amor ao luar
E via então de um lampião de gás
Na janela a flor mais bela em tristes ais
Deixe-a voar, voar como o vento. E cair como um raio na cabeça de outrem.
Com exceção do Botafogo de Futebol e Regatas, claro. O Glorioso tem de se aproveitar deste campeonato, como o tarado da machadinha, de meninas camponesas.
Triste é escutar entrevistas em que nossos craques afirmam "dar o sangue" todo jogo. Como a perda de um litro seria totalmente incapacitante, é de se imaginar que não seja tanto sangue assim.
E ainda que doem meio litro, só pode ser uma vez a cada três meses.
Escravo no mundo em que estou
Escravo no reino em que sou
Mas acorrentado ninguém pode amar
Mas acorrentado ninguém pode amar
Poesia inteligente e de qualidade, mister.
Preciosa, diria Gollum a sua vaquinha.
Ou os separatistas, genuflexos, à Rainha Sílvia da Suécia.
"Quando derem vez ao morro, toda cidade vai cantar" (Nameless Faceless Lakeness)
Predefinição:Luxo
Wunderblogs foi uma boy band de travestis malaios. Seu maior hit levava o refrão:
"And I want to feel passion I want to feel pain I want to weep at the sound of your name Come make me laugh Come make me cry Just make me feel Alive"
Com a morte de Paul e do clone de Paul, Ringo fechou a caixa de comentários. Deixam netos, mas nenhum filho.
Outros, ainda, os acusam da morte de Kennedy e de esgotar as reservas do tesouro nacional.
Seu endereço é: http://www.wunderblogs.com/
Dos 12 Césares, eu esperaria que pelo menos metade tivesse tal nome, mas não é o caso.
E Calígula não era santo, mas foi Caterina Sorveteira de Médici quem casou aos 14 anos numa cerimônia celebrada pelo Papa, seu tio, pra arranjar uma boca na monarquia francesa.
Aliás, não só Calígula não era santo, como fazia questão de posar de Júpiter no templo. Exumou o cadáver de Alexandre pra usar sua armadura; e desfilava pelas ruas empunhando relâmpagos estilizados, como se fora passista da Portela. Um cabra muito arretado.
Em nada me espanta que se tenha deflagrado uma guerra em escala mundial por conta de um sanduíche vagabundo e um motorista sem o menor senso de direção. Surpreende-me é que não tenham patenteado a receita pra fazer fortuna mais tarde.
"Me vê um arquiduque."
"Os fiscais tá de olho. Cê num prefere um Beirute?"
"Ah, salta um équis-burger mesmo."
Acabo de assistir a um verdadeiro clássico da animação, episódio do Bob Esponja no qual a senhora Puff vai para a cadeia. Mais fabuloso que mil gerações de Amélie Poulain.
É uma pena que o longa-metragem, ou pelo menos sua primeira metade, não tenha se mantido fiel ao espírito da série. Realmente terrível.
O cisma entre o trabalho pesado e a filosofia é antigo, remontando à sua criação. Não era à toa, afinal, que os filósofos usavam saia e detestavam mulher.
Já as intenções de Diógenes, nunca ninguém entendeu bem. Sabe-se apenas que gostava de se masturbar em público, fazer amor com galinhas e tomar banho de sol.
Fez algum sucesso na época, mas se fosse hoje pro Big Brother, rodava em poucas semanas. Prova disso é que na primeira versão do programa puseram um bichano pra concorrer com o pessoal, e logo foi expulso a tapas e pontapés.
Os trocadilhos seriam fáceis.
Os animais encaram a vida objetivamente, a gente faz o possível pra seguir vivendo.
Canecas? Aí eu vou pra galera. Mas é sério mesmo?
"Uma revista cinematográfica vem movendo uma campanha terrível contra o cinema falado. E para convencer os incrédulos cita motivos de ordem patriótica. Diz que o cinema falado procura difundir a língua inglesa em desfavor das outras línguas. E faz profecias trágicas: a língua portuguesa em breve desaparecerá.
O mais interessante é que a revista acha que o cinema falado pode ser substituído perfeitamente pelo cinema brasileiro. E estampa em suas páginas gravuras odiosas, onde as nossas 'estrelas' se exibem em posição artística. Todos nós conhecemos as estrelas de nossas telas. Algumas são senhoras respeitáveis, volumosas, de 45 anos de idade, que, não obstante, fazem papel de mulher-vampiro, venenosa, fatal.
É o caso de uma madame Marta, gorda, bem nutrida de banhas e de pêlos. Marta, de vez em quando, nos aparece como ingênua. Nada mais irrisório do que essa senhora idosa, espaçosa, fazendo-se de ingênua e tomando umas atitudes interessantes de virgem suspirosa.
A outra classe de estrelas nacionais é mais divertida. Meninas cloróticas, sem carne, sem formas femininas, de sexo indistinguível, meninas lamentáveis, atrofiadas em todos os seus órgãos. São senhoritas de uma palidez feia de quem sofre de lombrigas. Parecem reclame dos remédios contra vermes."
(trecho de O Cinema Falado, artigo de Nelson Rodrigues, 28.XI.1929)
Ah, o cinema: única arte capaz de atingir o bolso de todas as camadas de nossa sociedade. E ainda afirmam que definhe... só se porque anualmente ressurrectam dezenas de clássicos do passado -- se bobear, até do ano passado.
Como 2005 não será diferente, e muito menos eu, já marquei em minha agenda ecológica diversos dos lançamentos que verei este ano. Se eu fosse você, ia reservando ingresso.
29/02 - Indiana Jones XV: Vestígios de Civilização encontrados em São Paulo
21/04 - Vários Mineiros e Nenhum Segredo
14/07 - A Epidemia é Negra, A Grande Abóbora é Laranja
11/08 - Guerra nas Estrelas X: Os Advogados Contra-Atacam
11/09 - Psicose (remake com roteiro de Gore Vidal)
12/10 - Xuxa e os Duendes (Jason's cut)
15/11 - Candelária: Uma Equipe Muito Especial
25/12 - Harry Potter e o Código da Vinci
Se literatura não dá dinheiro, por que publicar em vida?
Vaidade errada, pois é aos mortos que se enaltece. E burra, pois a maior vantagem de obras póstumas é justamente o menor trabalho: deixar vários trechos incompletos ou queimados, e ninguém reclamar -- pelo contrário, até lamentam.
Conceder entrevistas, ou ter de explicar o porquê disso e daquilo, não mata, mas também abrevia um pouco a vida.
Amigos seduzidos por concursos públicos como navegantes por ninfas ou najas por urina. Nem Circe faria tão bem acabado trabalho de domesticação.
Pequeno, achava que se era pra testar memória, melhor seria pular a parte do estudo inútil e pôr todo mundo pra brincar de jogo do mico. E daí para deduzir que ser funcionário público é pagar mico, não foi muito difícil.
Evidentemente, eu tinha um quadro desfigurado e incompleto das cousas da vida. E não me refiro com isso ao casamento, que nos força às maiores vilezas, mas a que seja parte essencial do critério de seleção ter paciência para sentar e decorar por meses a fio.
Um flerte com o QE? será realmente ruim? será salgueiro? e quem se importa? Se partis para a próxima grande aventura, que a inestética trilha vos acompanhe:
(Go West) Life is peaceful there
(Go West) In the open air
(Go West) Where the skies are blue
(Go West) This is what we're gonna do
Quem precisa de Salvador não merece ser salvo.
E, abaixo, uma foto do Escolhido:


Tema deste ano: Serão os espelhinhos o minigolfe da joalheria?
"Este é um país livre."
Há dias em que uma só frase nos desanima de redigir um livro inteiro.
Graças a Embratheos, há um telefone a meu lado, e posso ligar para um amigo. Não para reclamar da vida, não para discutir política internacional: para dizer que tive sonho premonitório com aviões, dizer que tome cuidado. A felicidade está nas pequenas coisas.
- peças de shakespeare
- peças de biquíni
A felicidade está nas pequenas coisas, geralmente ilegais.
Mas as letras miúdas também fizeram coisas incríveis no passado.
- a felicidade está nos pequenos gestos
- no sorrir de uma criança, na nenê de vila matilde
- no século brasileiro
- na construção de um lar
A felicidade é um átomo. Tão vazia e pequenina, que é difícil de acreditar. Mas no canal Brasil dizem que vem acompanhada de guaraná.
À várzea já voltamos, só nos falta o futebol-arte.
Como ele não tornará, chorarão por um novo carnaval de rua. E se não proibirem os beijos públicos, já estaremos no lucro.
Moral: cuidado com os sonhos alheios, pois hão de se realizar.
Perdi os melhores anos de minha vida praticando exercícios e mantendo uma alimentação balanceada. Das corridas na praia não reclamo, porém não precisaria ter feito nada disso.
Ri como um maníaco dos entusiastas da caminhada na década passada, tão mais eficiente. E nem comentarei uma senhora no canal sete, senhora de idade, que falava das maravilhas que varrer o chão da sala fizera pra sua cintura.
"Tevê é tevê, sobretudo à tarde", dizia-me, "nem o autor de clássicos da estirpe de 'Emagreça comendo' argumentaria, a sério, que datilografar deixará a senhorita durinha, ou que zapear no sofá o dia todo curará uma dor de coluna eterna."
Quanta ingenuidade, até o eletrochoque da Feiticeira tornou-se anacronismo risível e redundante. Pois saibam os senhores que quanto mais tempo o sujeito passa sentado, mais ele realiza pequenas atividades (movimentos protobrownianos), e logicamente mais emagrece. E quanto mais gordo, tanto mais calorias gastará nestas modalidades quase olímpicas de esforço, destreza e resistência.
Sério. Não apenas deixaram de blasfemar contra a poltrona-do-papai em revistas consideradas, como se derem espaço na tevê, ofertarão provas cabais de que respirar fundo, escovar os dentes, aderir ao sono polifásico ou espreguiçar-se regularmente seja mais que o necessário.
Depois que os homens resolveram ignorar os deuses, passaram a crer em qualquer idiotice que passa na tevê.
Tantos os ditos reflexos de algo maior e terrível, que cabe a pergunta: a causa mais profunda existe realmente ou não passa de uma abstração?
Por abstração, entenda-se: "artificialidade, simplificação ou preconceito a ser alterado conforme a conveniência."
Hipócrates não entenderia nada. Rutherford talvez mencionasse a importância do vazio na constituição da matéria. Biff daria um cascudo na testa do McFly.
Jovens texanos fazem mais séquiço após aulas sobre abstinência
E não apenas descobrimos um método científico para evitar a extinção de pandas e suecas, como as cabrochas no Tom Jobim são prova manifesta da boa-vontade de nossos governantes no combate à mais antiga e aclamada tradição nacional.