X-mos Srs. Gilberto Gil e Galeno Amorim,
Axé. Eu estava conversando com um amigo meu, da comunidade científica, e tivemos umas idéias pra transformar o Brasil no país com o maior número de escritores per capita da história. Sei que não vai dar certo, mas deve ser melhor e mais barato do que qualquer coisa que tenham na gaveta. Em anexo, anthrax e milhares de assinaturas.
Projeto Letras Feliz -- Um grande projeto para um grande país.
Como dizia o poeta, longo é o caminho, mas grande é a meta. Parará, parará, parará. Abaixo encontram-se os primeiros passos para erradicar o mal terrível do analfabetismo de nossas plagas, e sem recorrer ao uso de balas. Se vocês me derem dinheiro, eu publico mensalmente o resto, e breve seremos a maior república literária do mundo.
(i) trocar o hino nacional por "ABC easy as 1,2,3", do grande educador Michael Jackson;
(ii) distribuir sopa de letrinhas na rede pública;
(iii) substituir a queimada nas aulas de educação física pela queima de volumes de "Iracema" e de cartilhas intituladas "Literatura Brasileira";
(iv) pôr Agatha Christie e Brás Cubas na lista de mais vendidos da Veja;
(v) entupir os bueiros com garrafas pet;
(vi) criação de biblioteca virtual, e de um grande exército de clones.
Golfe: primo rico da sinuca, porém com jogadores tão bem vestidos quanto. Popular entre ricaços e pessoas da moleza idade. Por que seja considerado esporte é mistério maior que a construção das pirâmides ou a santíssima trindade -- os praticantes não se dão sequer ao trabalho de caminhar. A versão infantil inclui riachinhos e cataventos.
Pôquer: carteado high-society. Pertence à mesma categoria desportiva do anterior, mas com a desvantagem dos atletas se considerarem malandros, e de exibirem frequentemente partidas entre celebridades da tevê.
Luta-livre: vale-tudo em que é proibido bater de verdade; sobre o teatro, guarda a vantagem de não ter falas. Seus praticantes são homens de meia-idade, que fazem coreografias em maiôs ridículos, sobre um ringue cheio de molas -- e é natural que sejam por isso endeusados. A luta termina quando um deles retira a cadeira debaixo do tablado e acerta seu adversário pelas costas. O árbitro, geralmente cego ou mal intencionado, representa a injustiça da vida.
Fórmula 1: corrida entre carros que consagra os passageiros, e na qual são ilegais as ultrapassagens. A categoria, conhecida como circo, envolve milhões de dólares anualmente -- e severas mudanças de regulamento, para que os investimentos não sirvam pra nada. Apesar disso, a importância do piloto tem se reduzido a olhos vistos, e tanto, que hoje sua função principal é emagrecer em relação ao início da temporada. Só vale pelas garotas no paddock. Entre máquinas, prefiram o combate de robôs, que é mais castiço, e ainda conserva a possibilidade de ver explosões, fogo, peças indo pelos ares.
Futebol: vinte e dois idiotas correndo num gramado, com o QI estampado nas costas. O esporte mais popular do mundo só poderia ser o mais estúpido, no qual os campeonatos fazem tudo, menos cumprir sua função -- definir a melhor equipe. Mais imbecil que a lei do impedimento são as torcidas organizadas, compostas por qualquer um que não saiba soletrar o nome de seu time, mas esteja disposto a morrer por ele nas arquibancadas.
* Dercy Gonçalves
Porra, eu sou uma fudida mesmo, e nem pra me checarem a pindorama. Agora esses filhas da puta me tiram do túmulo pra contar a história duma merda de cão que só tinha três pernas. Passava o dia perseguindo a perseguida das cachorras da sua lapa. Um dia foi mijar e caiu... caiu foi o caralho! Putaquepariu, que joe louis! Tinha mais de três pernas!
Sexo. Tantas lembranças, porra. Agora me enterra de novo e me faz mulher.
Mais que uma tarefa hercúlea, é uma missão impossível convencer as novas gerações de que os efeitos especiais de Star Wars estivessem muito à frente de seu tempo. E, a bem da verdade, revendo as cenas do bar, do episódio iv, ou no covil de Jabba, do retorno de Jedi, começo a crer que a continuação oficial foi mesmo o Jaspion...
Ao lado, a personagem mais carismática de toda a série. Em anexo, cenas de um realismo aterrorizante.


Não é tão ruim quando se pensa. Penso na Laika, a cadelinha espacial. Puseram-na dentro de um Sputnik e a enviaram ao espaço. Ligaram fios no cérebro e coração dela, para observar como estava. Não creio que estivesse bem. Girou lá em cima cinco meses até a comida acabar; morreu de fome. É importante ter coisas assim para comparar...
Pense nos filósofos regos. Andavam de saia e se esfregavam uns nos outros feito porcos nas pedras. Mas e se o berço da civilização* fosse habitado por Dudeks e Serginhos Mallandros? Seria melhor? Chuchu-beleza? Ou, mais próximo, o que seria preferível: a vitória nazista, ou uma dominação francesa? Croissant mal feito pro café, gente imunda de dez dias na rua, filme existencialista na tevê. É preciso comparar. Rá!
(*) bom nome para cidade beira de estrada -- "Última entrada para Civilização a 100m"
Sempre que tomo o ônibus, leio cartazes, cartazes que me informam em tom de súplica que cada veículo emprega seis trabalhadores. Mas a Van emprega, além de matorista e berrante, dois bombeiros, três paramédicos e todos aqueles fiscais -- cheios de filhas de 15 anos, com festas a pagar...
É preciso comparar. Claro que a arte moderna é uma droga; porém, como já dizia um ewok meu amigo, ninguém aguentava mais aquelas músicas sem título, os quadros com jarros de flores. Haja empatia com o público da época para sobreviver assim. É como pensávamos, mas agora vimos que pode ser muito pior. É preciso comparar.
Eu deveria ter contado tudo a ela. Mamãe adorava histórias. Pense em como acabou aquele jovem jedi, que foi a Boston implantar um rim novo. Ficou famoso nos noticiários, mas acabou morrendo. Foi há muito tempo atrás, e ainda há os que digam mal do futuro. Antes ser reprovado no exame de DNA que num psicotécnico, é preciso comparar. Ainda mais com essas Casas Bahia aqui na esquina -- dedicação total a você.
Qualquer teólogo sabe que o Cristianismo é, sem dúvida, a melhor religião do mundo. Sua base é muito sólida, seus princípios, os mais nobres. Inventar feriados, mandar os outros carregarem sua cruz, eis nosso norte há quase dois mil anos: evitar a fadiga.
O verdadeiro cristão nunca levantou o traseiro nem pra se defender, no máximo virava a cara -- o que explica sua disseminação por este Brasilzão de meu Deus. Pra se ter uma idéia, o primeiro passo dos pais da Igreja foi incorporar o domingo sem se livrar do sábado. Foi o maior sucesso. E conseguir a quarta-feira é tudo uma questão de tempo.
Os santos foram outra desculpa para arranjar alguns dias de folga a mais. Sem um milhar de deuses para glorificar, era preciso dar uma acoxambrada. E, embora pareça mentira, a ressurreição ocorreu mesmo: não para salvar a humanidade, mas pra estender o feriado.
Hoje, por exemplo, é corpus christi. Já comemoramos a morte, a ressurreição, o natal, os reis magos, a festa da carne; que raios é corpus christi? Que significa corpo de Cristo, está na cara, mas será só mais uma desculpa esfarrapada para um feriado?
Claro que sim, por que você acha que cai sempre numa quinta-feira?, mas fala baixo. Em público, afirmem tratar-se de uma questão de simetria... No carnaval nos aproximamos de Baco, o deus do vinho, que é o sangue de Cristo. Sessenta dias após a crucifixão, nada mais natural que homenagearmos a hóstia, o corpo de Cristo.
Por mim, homenagearíamos também as sandálias de Cristo; o mullet, o nariz, até o guaraná de Cristo. Com todo esse avanço tecnológico, não tem desculpa. E façamos enquanto é tempo, pois Ele Está Chegando. Numa sexta-feira, pra aproveitar o final de semana.
Cristianismo, in hoc signo vinces. Satisfação garantida, ou seus dias úteis de volta.
A História Sem Fim: em busca do tempo perdido
Doutor Fausto: a coisa não-deus
Ulysses: muito barulho por nada
Infinite Jest: guia oesp páginas amarelas
Finnegans Wake: o código da vinci, a história sem fim
Meu irmão pediu-me que escrevesse algo a respeito.
As crônicas de Nárnia são livros essencialmente infantis, para crianças de até oito anos -- a partir daí, as características que atribuímos à infância definham rapidamente, e aos onze a vaca já foi pro brejo.
Mas, apesar de infantis, como são livros muito longos para crianças, devem ser lidos pelos pais, à beira da cama, para que seus filhos durmam.
Elas gostam? Gostam. Entre outras razões, porque não reconhecem certos trechos, e ignoram tantos os problemas de continuidade quanto as personagens absurdamente tolas (interpretam caricaturas mais nobres). Claro que isso não pode ocorrer a um adulto; então, apesar de alguns bons momentos do Lewis Carola, é difícil não pegar nojo durante uma releitura qualquer.
Mas ler para os filhos as histórias da infância está longe de ser uma releitura qualquer. Há nostalgia, há muita coisa envolvida. E, apesar de ficção de baixa qualidade numa situação normal, com o autor e suas rasas personagens atados por fios visibilíssimos -- praticamente varetas de show dos muppets --, dá de passar.
De qualquer modo, ao contrário do que pensa C.S.Lewis, interessa unicamente a opinião dos filhos neste caso. Não sendo um Pequeno Príncipe, nem História Sem Fim, crítica e sociologia mequetrefes que se abanem.
A religião é um construto humano, que procura substituir a realidade cognoscível pelos anseios do praticante. E como toda invenção humana, não costuma dar muito certo.
Fruto de nossa ignorância infinita, a religião desconversa e usa as lantejoulas de tradição para impressionar os simplórios. O que deveria impressionar muito pouco, já que os Neanderthais também tinham religião, mas não sobrou nenhum pra contar a história.
E apesar de experimentalmente errônea, a religião segue por aí, rebolando e difundindo seu manto de opressão, sob promessas de libertação ou de uma vida futura de prazeres ou serenidade. Ou seja, é mais ou menos como o direito, a medicina, a matemática ou a câmara dos vereadores da minha cidade.
Mas como todas essas superstições são muito mais mortais que a religião, o melhor é ficarmos com ela mesmo. Até porque, quando morre, pelo menos a gente vai pro céu.
"Convidado algum deve sentar em cima da mesa e nem de costas voltadas para ela; nem deve botar a cabeça em cima do prato para comer; nem deve tirar comida do prato do vizinho, sem primeiro pedir autorização; não deve limpar sua faca às vestes do vizinho; não deve retirar comida da mesa colocando-a na bota ou na bolsa para consumo posterior; não deve cuspir na frente do meu amo e nem ao seu lado; não deve dar beliscadelas ou palmadas ao vizinho; não deve emitir ruídos resfolegantes ou dar cotoveladas; não deve conspirar à mesa (a menos que seja com meu amo), não deve fazer propostas obscenas aos pajens do meu amo nem retoiçar com os corpos deles; e se sentir necessidade de vomitar, tal como se tiver vontade de urinar, deve abandonar a mesa." [dos cadernos culinários de Leonardo; lembrança via Louro José]
Não mencionarei que profecias existam na ficção para serem ignoradas, ou interpretadas de forma inexata a totalmente equivocada. E tanto melhor se sua existência for determinante para o cumprimento. Todos beberemos deste cálice.
George Lucas realmente falha, em seu novo filme, é ao lidar com a natureza do mal. Seus pequenos passos são brutais quebras de paradigma, e mal justificadas. Dose.
Sem falar que seus personagens tornam-se retardados sempre que lhe convém; há um monte de balelas sobre poder, só o amor destrói e constrói, a perversão da certeza, a dor do conhecimento... E o resultado de certos duelos, tsc tsc.
Ok, conhecemos finalmente a origem de Anakin, mas repito feito uma velha chata: faltou-nos algo mais fundamental, a natureza do mal. Huahuahuau.
SPOILERS / Melhor diálogo do Episódio III é o seguinte:
Lord Sidious: Anakin, se você se tornar meu discípulo, eu te dou um sanduíche de presunto.
Darth Vader: Oh, milorde, servimos bem para servir sempre!
Ufólogo, segundo consta, é um especialista na observação do céu, só que incapaz de enxergar um palmo adiante. São a espécie mais inofensiva de visionários. Eu, que não entendo nada de alienígenas nem do futuro, não pude deixar de notar que o Anakin está vestido de adolescente afegã num cartaz grandão aqui perto.
Apesar disso, irei ao cinema mais tarde, verificar se George Lucas sepultou a série de vez. Não que eu ligue muito para os filmes, devo dizer... jamais fizeram jus às 10 revistinhas que meu primo de oito anos desenhou, ridicularizando a estória e os personagens.
Estas revistas em quadrinhos foram meu primeiro contato com o humor cínico que mais tarde me inspiraria. O imperador era um mendigo que fora atingido por um raio, e detestava tudo relacionado a moda -- a começar pelo penteado da princesa Féia. Uma estória genial.
Meu primo de oito anos era muito melhor que o George Lucas, sempre soube disso. Mas nem com toda sua maldade teria criado um Jar Jar Binks. Os Siths são realmente sombrios, mas perto dos Sítios eles nunca passarão de Padawans.
No princípio eram os blogs. Poucos, porém de ilimitada qualidade. E navegávamos por todos eles, mergulhando da prancha, como um Tio Patinhas de felicidade. Mas ao longe já se divisava o espírito de Alcelmo Góis pairando sobre a face das águas.
Na última década, com a expansão dos blogs, a lei do decaimento virtual entrou em ação. Trata-se de uma verdade heráldico-matemática, que estabelece a vulgarização inexorável de qualquer meio, deixando em aberto somente sua meia-vida. Caso particular daquele teorema de aritmancia, segundo o qual o número de coincidências impensáveis cresce exponencialmente com a gravidade de uma crise -- e isso gera seu fim, e a Letargia.
Sim, os blogs se expandiram, e a tal ponto, que não está longe o dia em que a profissão de blogueiro seja reconhecida -- e qualquer pessoa inteligente sabe que não há nada mais humilhante que ser reconhecido e normatizado por um governo. Mas já que estas humilhações parecem inevitáveis, ao menos expliquemos o que não é um blogueiro, pois temos sido confundidos com profissões outras e infectas.
Quer um exemplo? Repórter. Blog não é jornal. Blogueiro só posta notícias quando a bubiça é maior que barba de afegão em véspera de peregrinação a Meca. Quando a bola quica na pequena área, livre, pedindo pra chutar. Sem exceção. Se você der o azar de cair num blog político ou informativo, foge. Reseta na hora. Aperta o botão cinco vezes, que nem elevador, pra não ficar nada na memória, pra não se contaminar.
"Ah, mas eu li que blogs devem ter informações, até complementar a imprensa". Esquece, isso é coisa de gente que não toma banho; ou tá a fim de uns trocados.
Ah, essa é uma acusação grave? Grave é o fedor que empesteia nosso meio; grave é a puta que o pariu. Quando blogueiros levemente efeminados se fazem de críticos de arte, são ignorados pelo público e ridicularizados pelos entendidos. Já os dublês de jornalistas, espalhando notícias como quem semeia esterco no quintal, são lidos e relidos pela massa ignara, após a divulgação por seus co-irmãos -- do papel ou do monitor. O horror, o horror.
Olha, eu sempre tive um horror sacro e profundo à opinião alheia, pavor a qualquer opinião fundamentada, trajando símbolos de sabedoria. Aquele odor fétido de falsidade travestida em verdade imparcial. Sempre terrível, mas, num blog, ainda pior.
Quando vejo de relance um post, a mera impressão de que exponha uma opinião firme e seriíssima faz meus olhos se encherem de areia, começo a marejar em rubras lágrimas; se constato por um átimo a existência de sérias enumerações, já as pústulas me tomam as faces.
Desagradável? Pra dizer o mínimo; é a definição de chatice. Vai ser baiano na vida!
Mas, ok, até concedo de bom grado que alguém vomite sabedoria construtiva no colo alheio. Desde que não tenha nenhuma boa intenção nisso. Que se desdiga três dias depois, dizendo que estava bêbado e quem concordou é imbecil. Ou que tenha feito só pra arranjar briga, ou comer uma vizinha. Ou que só fizera uma graça, que dois minutos depois ignore o que tenha escrito.
Por exemplo: quem se importa com blogs jornalísticos? Não eu. Só redijo isso porque devemos bater e achincalhar quem apareça pela frente. Como o vovô gascão já dizia.
Doença. Com azar e antibióticos, tornaremos em breve. Fiquem com a canção-tema:
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso humor.
"Pretendo fazer TV, porque não tem nada a ver com arte nem com cinema. Acho que será divertido. E quero agora realizar o velho sonho de me dedicar a filmes experimentais, com música e imagens abstratas. Serão coisas muito abstratas. E vou produzir um novo Indiana Jones." (George Lucas, diretor, produtor, figurante e samba do crioulo doido)
Além de curiosa, a citação se destaca pela distinção entre cinema e arte. Não que isto seja novidade, sobretudo com esse monte de paródias pobrinhas que o assombram.
Star Wars mesmo foi alvo de um filme há uns anos, ainda mais ridículo que o original, com John Candy & cia. Dir-se-ia que um epítome da ruindade, se fosse possível reclamar.
Paródias são caricaturais por natureza, e, pra piada não cansar, devem ser curtas*. O formato casa razoavelmente bem com o cinema 80 minutos, e não surpreendem as piadas para QI 80, as observações astutas sobre clichês. Podiam ser melhorzinhas, é vero, mas o lado negro da Força é muito tentador; a maioria será sempre uma porcaria mesmo**.
(*) ainda que Dom Quixote tenha sido engraçado um dia, é longo demais. Seu lugar ideal é numa coluna de jornal baiúca da vida, como diversão semanal.
(**) salvo por escritores russos do século XIX. se eu fosse escritor, trocava meu nome pelo equivalente russo, e garatujava uma biografia picareta; com foto de barba postiça.
Ainda é a do inventor do bambolê, em "A Roda da Fortuna". Mas esta introdução de Tom Jobim não deixa de ser memorável:
"Aqui tem uma moça chamadaa Heloísa Maria. Que o pessoal trata de... todo mundo só trata de Miúcha. E a gente, ela é minha, minha parceirinha, num disco aí que a gente fez. Eu quero tocar uns negócios prav, pra vocês."
[Daí entramos num universo paralelo, onde lírico piano é seguido pela voz...]
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar...
Brasileiro não move o traseiro nem pra sair do país. O contrário das brasileiras.
Deus só tem poder sobre quem o aceite. Não se pode ir pro inferno por ser ateu.
Ao ver políticos mendigando nas ruas e tevês, suplicando para que se lhes delegue poder e responsabilidades, sinto que não entendemos mais nada. Autoridade e confiança não se conseguem com mentiras deslavadas e votinhos -- sobretudo obrigatórios. São concedidas voluntariamente, e tem de fazer por merecer.
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will rule the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius
Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!!!

líderes árabes e sul-americanos se reúnem para discutir o futuro
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!!!
É inútil, e meio idiota, iniciar uma discussão se os pólos não compartirem alguns pontos-de-vista. Antes de mais nada, convém indagar: qual teu refrigerante preferido?
É impossível não responder coca-cola e estar certo ao mesmo tempo.
"Lembre-se sempre de quem você é", disse-lhe a Mãe Ciosa. Mas o Filho Irresponsável se esqueceu completamente, e não hesitou em doar seu rim para salvá-la. "Deus escreve certo por linhas tortas", sentenciou Cordélia. Aí chegou o negão e comeu todo mundo.
Estes que aí estão, chutando a minha canela
Eles passarão, e o resto todos sabem...
Após uma discussão na clareira, a Lebre e o Cágado resolveram apostar uma corrida. Apostaram tudo na zebra, e nunca mais precisaram mover um só dedo do pé.
O sábio chinês sonhou que era uma borboleta. Mas, quando acordou, não sabia se ele era um sábio chinês que sonhara ser borboleta, ou se era apenas mais um veado mesmo.
Endividadas até a raiz dos cabelos, a Quase-Verdade e a Mentira Justificável brincaram de Roleta-Russa. A banca ficou com o dinheiro falso, mas as duas perderam a vida.
A Cleptomania e o Imperativo Categórico combinaram de jantar. Ela furtou o cinzeiro, ele fez questão de pagar.
"Por que pagaste a mais, em vez de me denunciar?", indagou a Cleptomania.
"Estamos no Brasil, oras, dá pra acoxambrar."
Então ela roubou-lhe um beijo, e bateram cinzas até o sol raiar.
Dos quadros famosos de outrora, sem dúvida um dos mais feios.
Além do braço esquerdo da Vênus parecer um transplante (daqueles que sem dúvida serão rejeitados), a discreta conchinha é desde o Paleolítico nosso símbolo, e mesmo amuleto, da fertilidade. Um bom resumo da pintura, portanto, seria: "vulva marinha expele Vênus 0.2 na cara da platéia". Mais poético, impossível.
Se belo é realmente aquilo cuja familiaridade não diminui o interesse, então este quadro é horrível, pois cada vez que o vemos nosso apreço morre um pouco.
O anjo kiko quase desmaiando por falta de ar, a dona grávida desejosa de cobrir vergonhas, os nojentos dedos dos pés, os peitinhos tristes. Nascimento de Vênus o escambau; é a "Pequena Loja dos Horrores".

Ele: Já é?
Ela: Demorô.
E ficaram, felizes para temp.
Virginia, Minnesotta, em caixas de madeira cheias de furinhos. Alguns vêm de avião, outros de navio; segundo a vontade de Deus e a conta-bancária dos pais.
Há bebês de várias cores e tamanhos, dos mais diversos preços, para todo e qualquer gosto. As classes abastadas tradicionalmente investem em qualidade; já os pobretões, na esperança de um não raro erro de filtragem.
Um bom plano médico, portanto, é essencial. Não só a criançada vem com muito erro de fábrica, como, se não vier, pode saber que os irmãos vão tratar de arranjar.
Sim, ter filhos é como assinar o pay-per-view do vale-tudo: a briga é o dia inteiro, a briga é inevitável. E especialmente nas médias classes, devido ao saudável hábito de comprarem um Beta ou um Alpha Menor pra primogênito, e o restante do tipo C ou D. É ciúme pra lá e pra cá, é pancadaria sem parar.
Até que um dia pára. Quando você percebe, eles cresceram tão rápido, e tão rápido quanto vieram, se foram. E você finalmente pode desfrutar de uma aposentadoria tranqüilamente. Mas só por dois anos; depois aparecem os netos pra cuidar.
Impossível deixar de notar que as principais personagens da animação Bob Esponja apareçam peladas logo ao início do filme: mister Squarepants, Lula Molusco, Patrick Estrela, senhor Siriguejo -- sem falar do Plâncton (que não usa roupas mesmo).
Não estranharei se descobrirem que o diretor foi um astro do Pop. Mas na Disney também não é muito diferente. E as crianças adoram, todas elas, as taradinhas...
Grande cabelereiro e figura humana. Melhor, só comandando a Argentina.
O Brasil é um país que nem precisou de história para se tornar ridículo.
"Mesmo com vitória, futuro político de Blair não está garantido"
Quem se elege premier pela terceira vez consecutiva, de atribulações futuras prescinde. Bastam uma casa no campo, um colchão forrado de libras e uma boa mulher. Além de meia dúzia de armas de destruição em massa para rechaçar os detratores, claro.
Porque é o que estes jornalistas merecem. Não só diminuem os méritos do maior estadista do século, como tentam nos vender chamadas cheias de inspiração do tipo: "Filha de pais muito pobres, negra Karllah afirma que venceu na vida." E uma foto de quarto de página, com a Karllah sorrindo no seu escritório com prateleiras de código civil comentado.
Ame o que você tem, sim, mas não vamos nos empolgar à toa. Essa mania de afirmar que venceu na vida por qualquer miudeza. Já foi à lua? Inventou a pedra filosofal? Unificou os campos? Escreveu na árvore um livro sobre como fazer amigos e influenciar pessoas? Fotografou?
Mas ok, simpatia, digamos que você realmente venceu na vida, pois tivemos o desprazer de topar com os quadros feios de tua sala. Bem, considerando-se que seu padrão anterior era a favela, não tinha muito como perder, não é?
Ah, mas alcançaste um alto cargo? E daí? Com um monte de contas, filhos pra criar, qualquer um arranja as ganas de passar num concurso bonito. Não fez mais que obrigação, não tem mérito nenhum.
Quero ver élan sendo filho de ricaços, destes que acendem charuto com nota de cem. Dispor-se a fazer grandes coisas sem a menor necessidade de levantar o traseiro. Isto, sim, exige vontade de potência, espírito criativo, personalidade.
O resto não é melhor do que um animal se levantando porque é hora da caça. Não é louvável, nem nada incrível, é animalismo. Clap Clap.
Uma forma ruim apenas má literatura engendra.
Mestre Yoda viveu mil anos. Finalmente usa formas gramaticais aceites pela sociedade.
O manual do escoteiro-mirim. E fica um pensamento: alguns livros são tão ruins, que não dá pra ler nem numa ilha deserta.
Ferreira Gullar redige lauda ao arqueólogo do futuro. Abaixo, a resposta:
"Saudações Vitais, carcomido Ferreira.
Felizmente, nós do futuro dispomos de meios bastante sofisticados*, e não precisamos revirar o lixo enterrado da história pra saber como se deram as cousas. Ainda assim, obrigado pela atenção.
(*) embora eu ainda ache a suspensão do meu De Lorean um tanto desconfortável.
A respeito de sua tocante cartinha, o que mais me espantou foi ser motivo de chamada para o maior provedor da América Latina. Mas é porque desconhecia seu presente como escritor de renome. Estou emocionadíssimo com minha descoberta.
Sim, exatamente: até hoje, nunca, em toda minha vida, tinha ouvido falar de seu nome. Posso assegurar-lhe que, em cinquenta anos, todas as referências a sua pessoa estarão completamente destruídas, e que você faria melhor indo jogar peteca com as crianças na praia, em vez de continuar a escrever bosta.
Sim, o seu texto é um lixo. Não me refiro apenas ao conteúdo, mas também ao estilo. Talvez você não se importe com o julgamento do tempo, mas como provavelmente não se importa nem que se lhe vá ao rabicó, não vale a pena insistir...
Anyway, é-me absolutamente clara, desde já, a razão do esquecimento que o espera. E, qualquer coisa, mês que vem estarei em 2069, apago o que restar.
No mais, saudações, vida curta e eternidade.
Arqueólogo do futuro -- servindo agora, para servir quente"
Dan Aykroyd.
Claro que ele sofre das síndromes de Tourette e de Asperger, então não é um exemplar típico, mas eles também têm Graham Bell, John Byrne e Gilles Villeneuve -- o campeão sem título nem cinto de segurança. E nem entramos em Linda Evangelista ou Pamela Anderson.
Mas ainda assim é difícil contrabalançar John Candy, Paul Anka e outras tranqueiras. Ben Johnson e o Cirque du Soleil, por exemplo, é melhor nem lembrar.
Oh, please, away from me, Diana.
"Isso mesmo, os paralelos são evidentes. Joselito Lisses pede aos comparsas pra o amarrarem numa cama durante a crise de abstinência. Claro que ele se livra facimente das cordas e morre de overdose. A gente pensou em dar uma máquina de costura a Penélope (Maria Ceta), mas no final ela é estuprada mesmo."
"Goethe é universal, mas estava muito desatualizado. Nesta versão de Fausto, o dr. vende a alma por pizza, um abadá na Festa dos 40 e algumas assistente de palco gostosas. Na primeira versão, pensamos em o colocar como apresentador de auditório de tevê. Mas seria muito cliché."
"E é por isso que Jesus Cristo morre durante um confronto de torcidas. Tive a idéia quando ia para o Pacaembu numa kombi, e vi um adesivo escrito Deus é Fiel."
90% dos homens traem. Mais de 50% dos casamentos resiste à descoberta. Se tua mulher te pegar pulando a cerca, e resolver expulsar de casa, pode processar: a errada é ela.

