Dinheiro das FARCs, tudo bem; e dólares cubanos, vamos fingir que ninguém viu... mas uma nova denúncia promete tomar as barbearias de Brasília esta semana: o PT recebeu 50 milhões de mangos canadenses dos Wunderblogs para a campanha presidencial.
O dinheiro teria sido obtido pelo mister, e transportado em falsos blogs (flogs) até o túmulo turístico onde residiam José Dirceu e companheiras de guerrilha à época da eleição. A denúncia foi apresentada por Fileleno Ortiz, que até recentemente assinava no mesmo portal o blog Atoladinhas:
"Foi um momento de fraqueza, mano. De extrema fraqueza, se você considerar que o portal ainda nem existia (...) as piadas sobre o PSDB já estavam desgastadas, queríamos novo material. Com auxílio logístico de Clóvis Bornay, o mister Simpatia pôde confeccionar uma nota de 50 milhões (...) foi uma verdadeira via crucis pelas padarias da capital, mas ele finalmente conseguiu troco -- ingerindo na ocasião diversos chapados e pingados de qualidade duvidosa, com graves riscos para sua integridade física, moral e ética."
Questionado sobre o que o levara a denunciar o caso, disse: "Sou guiado por uma voz. A do mister mais especificamente, que me ofereceu vinte mil limpinhos para acabar de implodir o governo, ainda que traindo os amigos. Ninguém é de ferro."
E não pára aí: "Há muito mais, não digo porque temo pela segurança de minha amante e de meus familiares. Sei de ovídio que pelo menos um dos blogueiros do portal também se dispusera a denunciar anteriormente, tendo sido ameaçado com uma nota de valor não-enumerável pelos demais. E um outro teve seu livro mutilado em quatorze metades, auferindo com isso grandes lucros no E-Bay."
Sim, meus caros, ainda há um mar de lama não-terapêutica por ser drenado. E segundo Nivaldo, quem viver verá. Mas vou-me, por rotas incertas, embrenhando-me em selvas africanas para não ser exterminado. Como um cão, diria Kafka. Na África?, retrucaria Mercuccio, parece improvável...
"Seu corpo assemelha-se ao de uma Vênus renascentista? Sua fisionomia é clara, doce, luminosa? Você é alta, abundante de carne, materna, floral, opulenta e bela? Se crê possuir pelo menos em parte esses dotes, apresente-se a Fellini, munida de fotografias."
Com anúncios assim formulados, o diretor e palhaço selecionava moças para seus filmes, e ainda revivia os sonhos colegiais. Comentários das pretendentes ao estrelato em 8 1/2:
- Sou uma grandalhona de oitenta quilos, fiz atletismo na mocidade.
- Me chamam a gorducha voadora; faço de tudo, mas acho que não sirvo para o senhor.
- Espero ser o seu tipo: tenho uma forte carroceria.
O máximo que se deduzirá de uma reunião de condomínio.
Enquanto arruinavam meu sabá discutindo o desenho da cruz no piso da portaria, concluí que Jesus é nosso guia, porém às vezes ele parece mais um motorista de ônibus. Diz não ter troco pra cem, mas deixa os pobres pularem a roleta, entrarem pela porta de trás.
Este é o Céu que desejamos? Mas não vale a pena reclamar. Não vale, e Arnaldo César Coélet acrescentaria que a regra é clara: não fale com o motorista além do indispensável.
Mas enquanto cochilava na reunião, percebi que a Verdade está mais além: Jesus não é o guia das gentes, é o almocreve. Pois nem em pesadelos tortuosos essa gentalha consegue chegar ao Reino dos Céus. Ou melhor: chegar, consegue, mas entrar é que são elas.
Minha hipótese é que Jesus foi abandonado pelo Pai, e agora precisa de condução pra voltar ao Céu. Fosse ele o pequeno príncipe, laçaria um cometa. Não sendo gayzo, precisou arregimentar um pessoal pra puxar sua carroça celestial.
É uma hipótese. A outra é a castidade ter sido supervalorizada por conta das dificuldades do sexo no espaço. Mas só Deus sabe. De qualquer modo, o Dies Irae bate à sua porta; e entre derrotistas e derrotados, suicidaram-se todos.
Os chimpanzés imitam os irmãos de Freud, o macaco simão imita o povo brasileiro, e o mundo imita a xerox do brasil. Mas torno aos chimpanzés em trajes de petiz.
De todas as mortes anunciadas do século XX, parece que só uma vingou: a do Circo -- além da passagem de Odete Roitman, marco da televisão internacional de Limeira. Mas como este é um blog pluralista, e não profético, deixo a questão para três eminentes pensadores da Folha de S.Paulo, o Sim, o Não e o Talvez. Falaí: o circo morreu?
Sim: não, foi transferido pra Brasília na década de 60.
Não: sem dúvida. O circo começa de modo primário, com alguns animais adestrados e muito sangue gratuito. E evolui com o tempo, trazendo criaturas não apenas amestradas, mas de todo o mundo; o risco é limitado, por exemplo na forma de trapezistas, temos a arte mística dos ilusionistas, a graça e o terror dos palhaços. Foi o seu auge; e a decadência, seu destino inevitável.
Carlito Tevez: o circo não murió, virou purpurina.
A idéia de que as pessoas se libertem dos sagrados laços do matrimônio após a morte sempre me indicou que o Céu seja uma grande suruba. E posso estar equivocado, mas ainda acho que as 72 virgens dos mulá-bombers sejam uma forma de punição.
Mas falemos do amor, pois isto aqui é um blog de família -- talvez criada por Tolstói, mas ainda assim uma família.
O amor é sem dúvida o sentimento mais alto do gênero humano, embora neste calor às vezes eu seja tentado a trocá-lo por uma casquinha de baunilha do McDonald's. Mas eliminemos a casquinha, o ar refrigerado, a coca-cola de latinha, e voltemos ao amor.
A meu ver, só há uma coisa mais vergonhosa do que sobreviver por anos e anos à terrível perda: não ter, em tal período, batalhado um novo matrimônio.
Porque, convenhamos, quem ama verdadeiramente não resiste à perda do seu amor. Todos conhecemos inúmeros casos de loucura e definhamento de viúvos e viúvas por aí. Se isso não ocorre, é porque muito antes do óbito, já falecera o amor.
E o respeito, mui nobre, à memória da falecida, ou falecido, não é senão um disfarce para o fato de que o amor não morrera previamente, mas jamais existira naquela relação. Que o cônjuge lhe era algo tão repelente, que sequer valha a pena tentar.
Se algum dia tivesse existido o amor, não seria assim. Ainda que pouco, ainda que temporário, teria deixado um vazio agora novamente pronto a se preencher. Mas tudo que restou foi rancor; o rancor e o riso de escárnio de um "já vai tarde".
Quando morrer, espero que minha esposa caia dura, fria como nitrogênio sólido, imediatamente a meu lado. Mas se isso não ocorrer, quero mais que ela vá é tomar no cu.
Falava eu, há uma semana, de Júnior Baiano. E como era de se esperar, neste meio tempo ele nos proporcionou mais um gol contra de beleza plástica inenarrável, que Michelangelo algum jamais esboçou -- embora, no altar da Capela Sistina, tenha chegado quase lá.
É como diz o Calazans: ninguém faz gol contra com a autoridade do Júnior Baiano.
Júnior Baiano... mas não sejamos maléficos, trata-se de um jogador de nível de seleção brasileira. E reciprocamente: os zagueiros da seleção são de um nível de Júnior Baiano.
Mais: pelo estilo e eficiência, não passo um final de semana sem me espantar que ainda não tenha sido convocado pelo Vanderluxa para a grande coqueluche, tétano e difteria do futebol, o Real Madrid.
É uma pena, seria merecido final de carreira para este gênio incontroverso. Criatura que desafia até mesmo conceitos que nos pareciam eternos, como o do bode expiatório ser um injustiçado -- se bem que ele está mais é pra uma besta...
Leio com tristeza seu desligamento do Flamengo, sabem? Claro que ele merece isso, e mereceria muito mais, porém a perda de uma figura folclórica é sempre amarga. E pensando nisso, e na mania de gravar DVDs tacanhos de Márcio Braga, veio-me a salvação para as duas partes:
Um DVD com os piores momentos do jogador. 10 real, em todas as bancas. Já pensou? o Brasil inteiro comprará. Faça isso, Márcio Braga, antes que ele se vá. Ou o Real fará.
Então combina assim: vocês voltam a fazer arte, aí eu volto a pensar.
Não só eu acho que deveríamos ter um referendo sobre as armas de espoleta, como aqui mesmo inicio a Campanha -- mas quem gosta de banana, pode pedir a Cavalo.
A liberação dos revolvinhos de brinquedo permitiria aos cabras que nos ameaçassem com armas falsas, reduzindo de forma drástica e mui humilhante o risco para nossa integridade física. Além disso, sabe-se que o mercado negro da espoleta gere bilhões de dólares mexicanos anualmente. Referendo já. Deferendo, ja. Referendo, patati e patatá.
Se a medida não passar, saberemos que se trata de protesto velado e aos berros contra o governo Lula. Mas, mesmo assim, terá servido para que nossa população zurre um pouco sobre o assunto original e importantíssimo, e maldiga novelas que porventura façam apologia ao uso de flores que esguicham.
E desde já entôo meu pregão de lavadeira:
Agora é hora, Faça justiça, Vamos todos votar no Issa...
Alalaô-ooor-ooor, Vereadô-oor-ooor...
Eu mato, eu mato, Quem roubou minha cueca pra pagar os deputado...
Outra coisa: dizem por aí que foi um desperdício de dinheiro. Mas dinheiro estatal serve é pra isso mesmo. Queriam o quê? Que gerasse educação e segurança? Saúde? Parece que bebem. Desperdício pra valer, ou pior, é votar em nossos dirigentes.
Na verdade, fazer referendo é muito melhor que eleição. E mais rápido, mais limpo. Sugiro que acabemos com as eleições, e, pro povo não ficar de beicinho, que as substituamos por referendos em anos ímpares. A partir de hoje, os cargos outrora eletivos se tornam vitalícios; e quando o pessoal morrer, essa basculheira toda acaba.
Piorar não vai. Porque em vez de esperar quatro anos, as gentes se conscientizarão de que tem coisas que só se resolvem na bala mesmo. Corrida do ovo e boliche por exemplo.
Não: o Brasil é coisa de pobre. Mas quem duvidar da premissa maior poderá demonstrar a conclusão verificando o preço dos juízes disponíveis no mercado.
Por mim, eu anularia, mas este pessoal do sim é chato pra caralho: pra calarem a boca, só na base da bala.
Não há momento mais lírico na história da Filosofia e da Teologia que a proibição de feijões por Pitágoras, a fim de assegurar-se a plena transmigração da alma.
Porque, de suas restrições, era a que fazia mais sentido. À exceção de "não pegar o que caiu", é difícil imaginar que houvesse gente disposta a seguir normas como:
- "Não tocarás em galo branco"
- "Não partirás o pão, nem comerás uma broa inteira"
- "Não te olharás no espelho, se ao lado de fonte luminosa"
Javé podia não entender muito de matemática -- não existe evidência de que conhecesse os números irracionais, quanto mais os transcendentes --, e as normas que estipulou não são lá grandes coisas -- não cobice o boi do seu próximo? --, mas com uma concorrência tão ridícula, é de se prever que sejam pelo menos mais seis mil anos de limonada.
Criada no Brasil, a Maratona teria apenas 590m, e se cumpriria sambando.
Já que todo ano a Fórmula 1 resolve piorar sua fórmula de disputa, para desespero dos torcedores, resolvi eu mesmo propor as mudanças para a temporada vindoura, enviando a lista abaixo pro site oficial na esperança de ser ignorado pelas elites:
1) A Minardi será substituída por Lance Armstrong.
2) GP de Mônaco: no tradicional Grande Prêmio, excepcionalmente, os pilotos (e o Rubinho também) terão de correr de baratinha. Se nem assim ficar interessante, o jeito é fechar. Ou pedir à prefeitura de Niterói que se responsabilize pela conservação do túnel.
3) Volta do Turbo: como visto em The Fast and the Furious, mas sem néon. E não apenas os carros serão mais poluentes, como os pilotos terão de dirigir com uma mão só, fumando, durante a volta de apresentação. A ingestão de bebida alcoólica durante a etapa será gratificada com vários pontos, e gesso se necessário.
4) Cascos de tartaruga -- as seen on Mario Kart
5) Fim do Pit Stop: meia-hora antes da corrida, arruaceiros invadirão a área, para destruí-la com uso de copos plásticos e sandálias. A polícia local prenderá um torcedor por 24h, ou a pista não poderá sediar eventos futebolísticos por até seis meses.
6) Fim do capacete: tornará as batidas muito mais emocionantes. A proteção encefálica será restrita a óculos do Kareem Abdul-Jabar. E sobre a piada referente a José Jimenez passaremos em branco.
7) Descartes: de volta, claro. Se ele provou que existe, quem somos nós pra negar?
Ontem, os animais eram sacrificados por capricho dos Deuses. Hoje, por micróbios.
Diz-se que antes tarde do que nunca, porém a autocrítica tardia apenas aumenta o ridículo. Júnior Baiano sente vergonha. Mas só agora? A esta altura, já era pra estar imune.
"Devemos aprender com os erros." Mas se fosse possível, Júnior Baiano seria muito maior que o Pelé, deveria ser o maior atleta de todos os tempos. Porque o que ele errou nos últimos quinze anos, Colin Powell e o bandeirinha nunca viram nada igual.
Colin Powell, reserva moral e espírito-de-porco da nação, também apresentou tardia autocrítica, num gesto de grande humildade e trairagem. Mas por conta de seus boatos infundados, ontem um palmeirense foi morto a tiros nas proximidades do estádio. E o que é pior: antes da partida começar, um desperdício.
Mas se não há desperdício maior que o da existência humana, e o Dies Irae está aí pra provar, então talvez só devamos chorar pelas balas perdidas. De qualquer modo, minto: há anjos, e um só anjo é mais inútil do que toda a humanidade.
Os anjos são uma espécie de secretárias do céu. Eles descem e passam uns recados pra gente, dão uma olhada pra constatar o grau de abominação do povo, guardam lugares no teatro com espadas flamejantes, fazem versos, essas coisas.
Mas se Deus é onisciente, onipresente e onipotente, nota-se que o cargo de anjo só pode ser meramente burocrático. O que não impede a existência de promoções e rebaixamentos, é claro. E a tal ponto, que começo a pensar que o céu não seja monótono pela sedação que os prazeres engendram, mas pelas filas mesmo.

Merengue: anjo da morte e costureiro
Josef Mengele seria famoso mesmo se houvesse apenas composto "A Arte da Fuga". Mas como o velho Bach se adiantou ao bigodudo em vários séculos, ele acabou tendo de apelar. E a correção política hodierna levou o serviço secreto de Israel a condenar as práticas científicas do maior neurologista que o mundo já viu -- segundo sua mãe e os artistas convidados.
Denegrido e na miséria, Mongole teve de se sujeitar a contrabandear artigos paraguaios por décadas a fio para sobreviver, entre os quais uma bóia de patinho, que viria a ocasionar a sua morte.
Atualmente, o cientista sofre intervenções odontológicas regulares, mais por falta de higiene que para dificultar seu reconhecimento, e mantém um blog no qual é constantemente acusado de nazista e fascista por comentaristas inescrupulosos. Ao que retruca, pandeiro à mão, "só se for agora".
- o Dinheiro
- a Certeza
- a Saúde
- o Amor
Mas mesmo que você não tenha nada disso, alguns filhos já são o bastante pra te matar.
Argumento pelo desarmamento é que o cidadão não sabe esconder a arma dos filhos. Problema é esse, gastem dois minutos do horário ensinando, em vez de tentar mudar a lei.
Pela quantidade de leis e de impostos, percebe-se que segundo o governo o cidadão é incapaz até de vestir a cueca sozinho. Admirável que não ande nas quatro.
Mais: proíbem o casamento gay, receosos de que a família se dissolva. Ou seja: nossos representantes pensam que se liberar, vai todo mundo virar viado.
O governo chama o cidadão de bicha e de imbecil, e deve ser mesmo, já que o pessoal se embeleca todo para sair às ruas com cartazes aplaudindo, zurrando palavras de ordem.
Quiserem proibir, ao menos justifiquem que sejam nossas gentes umas tremendas filhas da puta, que desejem levar vantagem em tudo. É menos constrangedor.
"Saúdo-o afetuosamente no dia do seu aniversário natalício. Com referência à sua radical decisão de jejum contra o plano de transposição das águas do Rio São Francisco, reclamando também a sua revitalização, e diante da firme opção de Vossa Excelência de levar até o extremo a greve de fome, tenho o grave dever de recordar-lhe que os princípios da moral cristã não permitem que leve adiante a sua decisão. É necessário conservar a vida, dom de Deus e a integridade da saúde.
Em nome da Santa Sé, peço firmemente que não prossiga com esse gesto radical. Não é esse o modo aceitável para exprimir a sua solicitude e sua doação pelo Povo de Deus.
A Santa Sé confia que Vossa Excelência não desobedecerá o preceito divino de não extinguir e prejudicar a sua vida e que imediatamente V.E. colocará fim a este gesto em obediência também à Santa Sé. Aproveito para expressar-lhe meus votos pela Festa de São Francisco."
Cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos da Cúria Romana
Você é favorável à existência de plebiscitos?
( ) Não
( ) De jeito nenhum
( ) Tá querendo me enganar, é?
Já sobre o RPG, sou contra ser favorável à proibição, e por isso votarei, votarei o quê? Mas o que eu acho: o que eu acho é que se nêgo teve de matar, a mulher devia jogar muito mal; menininha ruim de manobra...
No mais, o sobrenome da promotora é Trócilo, e qualquer cousa originária de quem tenha Trócilo por sobrenome, Freud explica. Imagina:
- Qual seu nome?
- Irinaldo Trócilo.
Aí fodeu. E é natural que a pessoa queira foder com os outros, ou seja dominada pelos "sentimentos muito lindos". Mas o que eu ia dizer é o seguinte: não proíbam o RPG, proíbam as pessoas da Fundação Wecsley de ocuparem cargos públicos.
A revolução não virá da compra de um galpão evangélico para abrir um cinema, mas da demolição de um arranha-céu para a construção de uma casinha pra família.
A verdadeira revolução é um ato de amor. Sado-masoquista.
A verdadeira revolução não se faz com armas, mas com mulheres e pílulas.
A maior arma de um homem é o livro. Desde que haja um revólver escondido dentro.
"O que é jogar bonito ou feio? Se tem uma coisa que os filósofos não chegaram a um consenso é sobre o que é belo. Até me lembro do que dizia um artigo: pergunte a uma sapa com aquela bocarra e olhos enormes qual é a coisa mais linda do mundo. Ela vai dizer que é o filhinho dela. O livro é lindo, 'Filosofia da vida', e termina assim: 'a simplicidade é a mais alta forma de beleza'. Está nas colunas gregas, onde for. Uma pessoa elegante é aquela que tem simplicidade." (C.A.Parreira)
Deveria ser concedido anualmente ao grande Karl Pearson, pela invenção do teste de chi-quadrado.
Nobel da Física Permanente: Cafu
Nobel da Química Permanente: Lavoisier
Nobel da Economia Permanente: Tio Patinhas
Nobel da Paz:


Playmobil Bombeiro

Flanelinhas invadem a China

Dresden
É inconcebível que, numa época de deuses pessoais, ou para salas de até 150 lugares, o populacho seja tão pouco criativo. E a tal ponto, que se contentam em exaltar variantes cretinas do Deus cristão, com barba fofucha e um número menor de mandamentos -- sob alcunhas meigas como "dicas para bem viver".
Quando eu for mais velho e mais corno, talvez participe de pequenas seitas; e adote a pior versão do satanismo, que é sair por aí envergando uma camiseta do américa. Mas até lá, minha religião pessoal é o petróleo. Morrer pelo ouro negro, não, seria deveras vulgar. Coisas assim como só comprar produtos quando embalados por seus derivados.
E sempre que me vejo frustrado por hereges da sociedade de consumo das sacolas de papel, parto pro sincretismo, bradando numa evocação radamânica aos Novos Júpiteres: "Raios, duplos raios, raios triplos!"
Já dentre as novas religiões, nenhuma é mais antiga ou radical que a de Cambridge. Fundada no século XIII, foi do idealismo ao materialismo pleno, porém algumas de suas instituições permanecem intactas: se você não vai ganhar o prêmio Nobel ou inventar a lei da gravitação universal, então trate de remar. E remam como se disso dependesse a sua salvação! Pois não só o inferno é aqui, como está logo ao lado, em Oxford.
Não quero me repetir, apenas apresento as estatísticas: apesar de ter um quinto da população mundial, a China jamais ganhou um só concurso de Miss Universo. Nunca. Nunquinha. Nenhum, em 54 anos de luz e indigência mental.
E pra quem acha que o povo ciclista não liga pra isso, convém mencionar que o país sediou os últimos três concursos de Miss Mundo -- que, desnecessário dizer, também jamais conquistaram...
Esta poderia ser a manchete de O Globo. E com uma percentagem bem menor, após se verificarem as barbeiragens estatísticas de ONGs picaretas. Mas foi bastante diferente.
Legitimidade, no meu país, é após o governo fazer campanha em prol de algo durante anos a fio, colocar duas semanas de propagandas retardadas, pró e contra, de cinco minutos na tevê, mode o cidadão poder votar conscientemente.
Legitimação é a parte degradante de suas ações preceder a conjunção adversativa.
Maluf rouba, mas faz. => legitimação, resignação, propaganda
Maluf faz, porém rouba. => indignação, copo meio vazio
O único senão é o senão, mas a tal conjunção impingirei a pecha de alternativa pela razão magnífica de que me convém. E também porque me agrada imaginar o Bechara, todo suado, sacudindo o túmulo do Napoleão de Almeida ao ler tamanha perversidade.
O sentido da vida existe e pode ser descoberto. Mas antes você tem de assistir a todos os filmes da Sessão da Tarde. Eu cheguei até Falcão - o campeão dos campeões; o Buda desistiu aqui:

Em outros tempos, tomariam as ruas para condenar o beijo público.
Embora pareça mentira, há quem viva de atender ao telefone. E não pense que toque sem parar, pelo contrário. Mas o mundo é muito cruel, e várias destas profissionais têm perdido o emprego para programas com menos de 1Kb. As restantes repetem com um sorriso o que seu patrão lhes disse ontem: "nada como um pouco de contato humano".
Se a vida não faz sentido, só o homicídio salva. E dita a lógica que não só a medicina se afigure a pior atividade possível, como o trabalho voluntário, o seu ramo mais diabólico.
Já o suicídio, não sendo instantâneo, é aporia e alvo de prodigiosa investigação filosófica.
Sobre o campeonato brasileiro, dito Brasileirão, afirmo que Luiz Zveiter cagou na pia batismal só pra ser falado. Pois a solução do problema era simplíssima, cristalina, e bastava um DeLorean do Monster Garage para realizá-la. Mas nãããoo...
Alternativamente, poderíamos exortar ao superman que voasse a velocidades superiores à da luz, e invertesse a rotação da Terra. Já foi feito antes, por que não agora? É absurda e revoltante a falta de vontade política nesse país.
E vai dizer que não temos nenhum mago do 20o. nível nos altos escalões do governo? Fala sério... Ridículo, ridículo; mas eu não esperava nada melhor desta Buenos Aires mesmo.
Problema do brasileiro é que, além de burro, é feio. E quando descobre que ainda por cima é pobre, só lhe resta o ridículo da revolta e da autopromoção. Mas disso trataremos a posteriori.
Dizia eu que brasileiro, além de burro, é feio. Há exceções? Não: se um brasileiro não é burro nem feio, falta-lhe, claramente, a essência da brasilidade -- aquela viralatice física, mental e espiritual que nos define --, e faria bem em fugir a nado pra primeira plaga civilizada.
Mas, antes que me interpretem mal, deixo claro que não considero o brasileiro um ser humano inferior. Antes fosse; considero-o um animal. Ou, sendo mais enfático, uma besta.
E demonstro. Pois o ser humano se distingue do animal pelo raciocínio; mas se tivesse opção, o brasileiro preferiria cem vezes ser belo a ser sábio. A quem duvida, bastará verificar nosso conceito de academia; numa comparação do número de sócios da biblioteca municipal aos da casa de ginástica mais próxima, esta vencerá com uma margem de 100 pra 1.
O brasileiro, portanto, é uma besta de papel passado e indigitado. E isso responde a questão fundamental: por que Deus criou um povo burro e feio? Nada mais simples: Ele não criou. Porque não somos humanos, mas animais. E cada vez que, rebeldinhos, negamo-nos a servir à civilização, estamos pecando contra a Luz.
Com essa população de analfabetos, em qualquer indagação com mais de cinco palavras o resultado é imprevisível.