February 18, 2006

2006, uma paulicéia no espaço

Com apenas quarenta anos de mora, o Brasil conquista o espaço. Os macacos foram antes de nós, os cachorros foram antes de nós, as pulgas, as baleias, as bolas de golfe, os espelhinhos, as miçangas, Beth Carvalho, Alf, Will Robinson, o PT; até os mexicanos e os geólogos foram antes -- afora o profeta Maomé e coleções de formigas diversas.

Mas agora chegou a nossa vez. Não é na base do saci, verdade, e graças a Deus. Talvez a condução seja russa, talvez o treinamento seja americano, mas o que há de mais importante vem da nossa terra: o chapéu panamá de Santos Dumont.

O quê? vetaram? Bem, ainda resta o ser humano. Campeão de toda essa gente brasileira, se esfregando na bandeira. Furando a fila e desafiando crises de abstinência do arroz com feijão, algo dramáticas na ausência de gravidade e goiabada cascão. Mas vale a pena; é o primeirão, vai Planeta!

Primeirão? Ou não?

Infelizmente, a cosmonáutica é apenas mais uma prova da ignorância do nosso povo, que canta e é feliz, mas se desdobra em reiterar o desconhecimento da própria história. Aos 15 de outubro de 1957, muito antes de Gagarin, o Brasil ô-ô já ia ao espaço.

O célebre caso Antônio Villas-Boas, agricultor, brasileiro, gente que jaz, covardemente abduzido por três seres de baixa estatura com capacetes incrementados. Que após um exame traumático e minucioso, foi convencido a fazer amor com algo, em suas palavras, "bastante parecido com uma mulher".

Deixaremos os detalhes desta cópula sórdida, pública e aberrante a cargo da imaginação do leitor, para destacar que a expedição, inédita, foi muito mais que uma mera viadagem no espaço. Quando retornou a sua fazenda, Tonico percebeu que também viajara no tempo! Sim, sim, salabim: voltara seis horas antes da abdução.

Vejam, portanto, como samos avançados -- a despeito das doenças tropicais. Muito antes das outras nações terem espasmos alucinatórios com Ícaro, dominávamos não apenas o eixo z, mas até a quarta dimensão. E não se trata de uma conquista apenas tecnológica, meus caros, há de se ressaltar o caráter altamente heróico do nosso herói brasileiro.

Um verdadeiro herói: em vez de matar seu antigo eu, criando um paradoxo espaço-temporal avassalador, preferiu a pecha de pirobo e lunático. Ou por outra: fez questão. Sempre por aí, uivando e se rebolando pra dar exemplo, esse é o povo brasileiro. Viva o povo brasileiro.


O Universo, 40 Dias Antes do Nada

Posted by mozart at 7:00 AM

February 10, 2006

O Santo do Dia (iv)

Doutor Fritz (dez da manhã às seis da tarde): famoso cirurgião da 1a. Guerra, encarna em pelo menos trinta médicos diariamente. Como morreria de fome se fosse comprar luvas, honrará a pátria desfilando em todas as escolas de samba este ano.

Munida de salsichão e mostarda holandesa, nossa reportagem tentou obter uma exclusiva, mas acabou doando o fígado acidentalmente, e veio a falecer a caminho do Souza Aguiar.

Posted by mozart at 2:30 PM

February 7, 2006

O Santo do Dia

Desde que decidi atravessar o Atlântico a remo, tenho me inspirado na vida dos grandes vultos dos anos 70 que esta humanidade de meu Deusu produziu: os santos.

Mais que mera inspiração, me ensinaram a respirar corretamente. E por isto faço como o brutamontes de À Espera de Um Ménage, e expiro todo esse conhecimento adiante, na esperança de que vocês se iluminem e possam realizar grandes obras -- maiores até que as de Queops ou do Paulo Maluf.

Mas como eu não sei que dia é hoje, sempre me enrolei com números, peço perdão e começo com um santo aqui de perto mesmo:

São Sebastião (1500 e alguma coisa -- 1960): andava seminu pelas ruas do centrão, e vivia levando flechada. Supõe-se que pontuasse toda frase, toda oração, com um mínimo de cinco ou seis palavrões, e sambasse com incrível desenvoltura. Mais não sabemos.

O Santo do Dia (ii)

Comida em lata (1809 - anos 90): criada para diminuir os custos da Marinha, através da prerrogativa governamental de matar seus súditos. Ninguém discute que ela fizera coisas grandiosas no passado, mas a verdade é que nos mil e oitocentos tudo que prestava já fora descoberto, e séculos de nepotismo depois, o único jeito de acabar com o rombo náutico no orçamento era envenenar o pessoal.

O sucesso foi imediato, espalhando-se por todo o mundo, e atingindo especialmente alguns bem-intencionados dos infernos, que gastaram os tubos tentando encontrar um continente gelado imprestável.

Mais tarde, junto com a água fluoretada, a latinha seria elevada a ícone pop, logrando êxito inaudito em campanhas humanitárias e no controle do crescimento da população.

Na década de 90, resolvidas estas questões vitais, a lata foi sistematicamente trocada por caixinhas. Exceto no caso da cerveja, é claro. Para enganar as baixas castas com formas ineficientes de ascensão social. E porque caixa de cerveja todo mundo quer, mas cerveja em caixinha é uma fria - e olhe lá!


O Santo do Dia (iii): Solucionáticas

Agora que o manguato do PT se aproxima do fim, devemos refletir sobre seus fracassos sutis e suas conquistas acintosas, para que escolhamos o futuro com virtude.

Primeira Questão: é o Parlamentarismo superior ao Presidencialismo?

Resposta: não. O Parlamentarismo é a teologia de nossos intelectuais, a planta miraculosa de seus sistemas de feira mental. Ou seja: é de uma obviedade evidente que esteja errado. Procurem no google por "parlamentarismo é estúpido", ou tolo, idiota etc etc. A completa ausência de registros prova de modo irrefutável sua natureza abjeta.

E não me venham falar em estabilidade. Céus, mais estável que o Brasil, nem o próton, nem um moto-contínuo, nem mesmo a viúva de Garrincha. O Brasil não entra em guerra nem pra tirar fotos, é incapaz de encontrar meia dúzia de separatistas, não sabe nem amarrar o cadarço. Nunca fez nem vai fazer coisa nenhuma.

Por mais confusão que inventem, o país seguirá muito bem, obrigado. E na verdade, as marolinhas de tensão até que geram bons resultados. Não haveria Real sem a queda de Collor. Quanto mais malham o analfabêbado, de menos tempo dispõem ambas as partes pra se dedicarem à extrumeira. E se o dr. Lecter não tivesse escapado, a indústria perderia três filmaços.

Já da tradição me recuso a falar, porque tradição é mais fácil de falsificar que texto de Shakespeare ou nota de três... Digo, porém, que é legal poder anular o voto pra presidente. Ou se usarmos o jargão científico: Presidencialismo é massa, Parlamentarismo é paia...

Parlamentarismo, só com uma condição: poder direto. De preferência com uma constituição redigida por mim, e só se for depois. Até lá, calem a boca e vão me comprar uma balança e um pato, que eu tenho dois poderes pra julgar.

Segunda Questão: três poderes? Prefiro o mercado guanabara, mas cê que sabe.


O Santo do Dia (iv): Copos Descartáveis

Mas todos já os conhecem e veneram, então passemos pro reserva:

Bentinho (1960-1899): historiador suburbano traído por todos que lhe eram caros -- da mulher ao ponta-esquerda, passando pela crítica americana, os amigos e a teologia. Em idade já avançada, foi tomado por um espírito maligno, com o dobro de seu QI e estilo muito mais sofisticado. Ainda tentaria unir as duas pontas da vida, mas no fim percebeu que não havia ninguém na área pra cruzar.

Frases Célebres:
"Vivo era feio; morto pareceu-me horrível."
"Você tem razão, Capitu, vamos enganar toda essa gente."
"Publicar planos infalíveis que exijam perseguições, quebra-pau, escravidão, impostos (impostos!) e um banho de sangue, vale. Publicar sátiras destes doutrinadores, não. Tá bão então; e critérios nem pensar."
"Qualquer um que defenda, por mais tenuemente que seja, os muçulmanos na questão das tirinhas, é candidato sério a atestado de imbecil."

Posted by mozart at 11:54 PM

February 4, 2006

O Elogio dos Banhaços de Água Fria

O mundo mussumano está em pandemônio, por conta de algumas caricaturas do profeta Mamo. Que se preocupem com algo menor é não apenas compreensível, mas de uma previsibilidade pavloviana, quase de Sessão da Tarde. A situação só se torna incompreensível quando percebemos que Maomé sempre foi uma caricatura. Assim como o Islã e os mussumanos. E depois vêm reclamar...

Que as pessoas sejam ridículas, dou-lhes todo o direito, mas não ejactem jericadas em minha direção quando for zombar mais tarde -- até porque eu não converso com maluco. Além disso, piada é o mínimo que se poderia fazer a respeito. O máximo é um carnaval fora de época. E o padrão, uma guerra -- afinal, nada (exceto a Poupança Bamerindus) dura para sempre...

Dito isso, se o Flamengo é religião já podemos apedrejar o Janô?

Torcida vibra com a camisa 111 de Luizão: idade do clube e peso do artilheiro

Posted by mozart at 12:35 PM