March 25, 2006

Volto Ao Mundo em 80 Dias

Posted by mozart at 10:08 AM

March 24, 2006

O que é Surrealismo?

O surrealismo é um movimento, quase uma ginga, lançado no século XX por André Breton e Salvador Dalí, que teve em Leônidas da Silva seu maior expoente.

Isso, é claro, se eu não estivesse mentindo. Na verdade, toda a história da arte se divide em três períodos básicos: místico, religioso (pagão e cristão por exemplo) e ateu. Vivemos no último, claro. E há já um bom tempo: a mui longa e conturbada transição tem seu momento decisivo ao fim do século XVIII. Desde o Romantismo, predomina na arte o ateísmo. De forma marcante, e cada vez mais, e assim será por um bom tempo.

O resto é perfumaria. Parnasianismos, realismos e modernismos são tão relevantes quanto o axé, a bossa-nova ou o rock 'n' roll. São o esperado.


- A música gospel é atéia?

Só.

- E a do padre Marcelo?

Difícil imaginar algo mais terceiro-mundano.

Posted by mozart at 2:08 PM

March 23, 2006

Passagens preferidas da Bíblia

"Bem-aventurados aqueles que lavam suas roupas para terem poder sobre a Árvore da Vida, e para entrarem na Cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todos que amam ou praticam a mentira." (Revelações 22, 14-15)

Palavra do Senhor. Pois num universo ridículo, o caráter ridículo da Bíblia só lhe pode conferir o mais alto grau de autenticidade. Marana-tá.

Vem, Senhor. E rápido. Mas evite a linha amarela.

Posted by mozart at 1:35 AM

March 22, 2006

O que é ecologia?

Perdoem-me se não leio jornais: é que eu tenho cérebro.

Evidente que não serei perdoado gratuitamente pela massa cinzenta. Resta-me esfregar o coração nas faces alheias e abstratíssimas, além de alguma fraqueza infame.

Confesso, destarte, que sou obrigado pelo cão a passear todas as manhãs, e sendo um de seus locais prediletos uma banca, aproveito para resvalar a vista em diários os mais subliteratos possíveis.

E foi assim que descobri meu país estar preocupadíssimo com o sigilo bancário de um caseiro. A princípio pensei que caseiro fosse um sobrenome comum, tipo Lamas ou Mary Corner... qual o quê: é profissão mesmo. O sigilo bancário de um caseiro. Mas de um país em que o presidente seja torneiro-mecânico, não se pode esperar coisa diferente...

Questão de ecologia, questão de ecologia, mas troquemos de assunto, tratemos de coisas menos vis. Média ou chapado por exemplo. Ou spam; nada mais vulgar e ordinário hoje que o spam. Mas o que é spam?

Embora pareça mentira, a presuntada é um produto natural, originário da carne de ornitorrinco -- este sim um produto de ascendência duvidosa.

Acrescentando à presuntada os derivados menos nobres do petróleo (baquelita, petrobrás), obtemos a mortandela, que ao mesmo tempo em que sacrifica milhões de criancinhas aidéticas na África, cria uma raça humana mutante e leva o coala-peixe-pássaro à extinção.

Temendo os novos baianos e talvez o baixo capital de giro, a Sadia inventou a ecologia. E espalhou por todo o mundo cartazes de salvem os ornitorrincos, além de veicular comerciais televisivos de gosto indiscutível.

A Aqualung, num outro contexto, encheu a burra de dinheiro salvando as baleias -- hoje extintas. E nós recebemos camisas terríveis à guisa de presente de natal.

Isso, em suma, é a ecologia segundo são João.
Viva a Ecologia. Viva Vaia. Viva Vida.

Posted by mozart at 12:45 AM

March 21, 2006

"A lei de imprensa serve para proteger os jornalistas"

Decerto. Assim como a invenção do dr. Guillotin nos protegeu da forca.

E a lei de Talião beneficiava os dentistas. E a cadeira elétrica foi concebida, em última análise, para extirpar a loucura da sociedade.

Posted by mozart at 4:40 PM

March 20, 2006

Morte Anunciada

E tem alguma que não é?

Posted by mozart at 3:41 AM

March 16, 2006

Algo que exija um mínimo de esforço

Um país se faz com homens e livros, já dizia o ficcionista infanto-juvenil; mas pra toda regra há exceção.

O Brasil adora revistas semanais, e se tiver horóscopo e resumo das novelas melhor. Aliás, a turma da Mônica ia pelo mesmo caminho, mas tergiverso.

No passado, um negro podia arrumar emprego de caixa no supermercado sem ter sequer o primário. Mas hoje há políticas de cotas, e eles são obrigados a obterem um diploma antes. Acho tudo muito engraçado.

Mas a graça não vem de agora. Não e não. Há décadas que as revistas, numa mesma edição (e quase toda edição), vêm com uma história triste do brasil precisar de Educação, e, mais lá pro meio, contos e fotos sombrias de universitários cujos diplomas serviram tão-somente pra embelecar a parede ou enfiar no cu. Sem dúvida que precisamos de mais Educação.

O Brasil precisa é de ônibus interestaduais em que não tenhamos de brigar pelo braço da cadeira. Mas só se eu viajasse. E felizmente sei o que desejo fazer da minha vida.

Posted by mozart at 4:00 AM

March 15, 2006

Afluentes do Rio Amazonas

Margem Esquerda: Everaldo, Piazza, Gérson, Rivellino e Tostão.

Margem Direita: Carlos Alberto, Brito, Clodoaldo, Jairzinho e Pelé.

Margem de Erro: Félix.

Posted by mozart at 5:10 PM

March 13, 2006

And The Sign Said...

Só Jesus salva.

Mas se Deus faz backup das almas, posso reiniciar mais tarde?

O inferno desagrada por definição*. E a hipótese de que se evolua a cada encarnação, feito a comissão de frente da Mangueira, é otimista ao extremo -- e naturalmente errada. Só o backup salva.

E pela fundura espiritual que observo nas ruas, acho que dois gigas dá e sobra. Não precisa nem zipar.

DVD burner, a chave do céu: só hoje, preço de ocasião.

(*) para a mulher, a morte já é o inferno, mesmo que vá pro Paradise Palace Hotel. Viajar sem ter uma ou duas semanas pra fazer as malas? qual a graça? E a hipótese do purgatório é de todas a mais temível. Se as portas "giratórias" dos bancos já evocam rebuliço, que dirá um detector de metais infinito? É a morte...

Posted by mozart at 1:22 PM

March 11, 2006

Solipsismo dos outros

Felizes os gagos, pois têm todos uma história de superação.

Eu tenho apenas uma dicção perfeita, e a descrença no conceito supra.

Via de regra, acho até que a gente sai perdendo.

O que vindo de alguém que aprendeu a ler e a amarrar os cadarços sozinho, deve contar alguma coisa.

O fruto mais fértil desta minha descrença é a opinião de que, apesar do esforço, a humanidade não conseguirá destruir a si mesma e ao tamanduá-bandeira. Mas sou limitado, e sei que posso estar errado.

Posted by mozart at 2:21 AM

Deus morra a meteorologia

Os camaradas dispõem da física, de uma sala cheia dos melhores computadores, de satélites, de históricos detalhados; até espaço na tevê eles têm. E não conseguem responder a questões simples, do tipo: "vai ou não vai chover?" É pedir muito?

Prometeram chuva. Na próxima, vou confiar na cigarra. Ou em aves migratórias. Em última análise, pagarei sem hesitar consulta ao pajé.

Posted by mozart at 1:36 AM

March 9, 2006

Biodegradação

A utilização de copos plásticos é uma prova de civilidade.
A de pratos e talheres, uma impossibilidade.
Tudo que sei da vida implica uma conspiração de anões.

E se repararmos, nem os copos plásticos são tão bons assim. Vêm em três tamanhos: médio, pequeno e café. A dose de café, diga-se de passagem, é tão minúscula que dá sono. Só faria sentido para um eixo-y-deficiente.

Notem ainda que não se restringem aos talheres as vantagens dos nanicos. Não e pelo contrário: são a própria medida dos restaurantes finos. Da Vinci estava errado, os hobbitzes malvados são a medida do universo. É sim. E não há engenho humano que não tenha sido criado com o fim único de beneficiá-los.

Vejam as roletas. As roletas, meus caros. Podem viajar de ônibus à vontade. E nos interestaduais, a poltrona é maior que uma cama. Leito puro.

Seria redundar no óbvio dizer que até nossas pequenas diversões, como os arremessos, são pouco a pouco banidas. O mundo é dos anões e ninguém se dá conta disso. Em caso de holocausto nuclear, não se espantem quando os cientistas informarem que são eles os escolhidos para os abrigos. Que consumirão menos, que aproveitarão melhor o espaço...

Mas não tenho esperanças de que as escamas lhes caiam dos olhos. Peço apenas que olhem pra baixo. Deficientes somos nós. E não digam que não avisei.

Posted by mozart at 4:01 PM

March 8, 2006

Coisas pra se fazer quando eu voltar no tempo

- tirar uma chapa de Maomé
- oferecer um sextante pra Cabral
- gritar fogo quando Lincoln for ao teatro
- contribuir para a ciência das matemáticas dando livros com margens um pouco maiores pra fermat

Posted by mozart at 12:35 AM

March 6, 2006

Soer é melhor que sambar

Prego o distanciamento da academia. Melhor pra ela, melhor pra sociedade.

E afinal, esses molóides que urgem, cacarejam pela ruína dos muros da USP, estão pensando o quê? Que professor vive dentro da universidade, ora bolas? que mora no laboratório? com uma luva na cabeça?

Uma meia dúzia talvez, e enfatizo: melhor pra eles, melhor pra sociedade. O restante, porém, tem de pegar trânsito, dividir o elevador, aturar reunião do condomínio, conviver com aluno... Precisa continuar?

Olha, se o sujeito consegue fundir o átomo, alterar o código genético, entender que diabos estava falando James Joyce, acho que ele é capaz de abstrair facilmente o conceito de favela. Vamos dar um pouco de crédito.

E se ele não conseguir, melhor.

Agora, se você é chato de desentortar banana, e quer integrar gênio e idiota, professor universitário e favela, então pega e convida logo pra sair na Portela. Quer fazer graça?! É isso?! Quer fazer graça?! Vem sambando então, filha-da-puta...

Posted by mozart at 9:20 AM

March 5, 2006

Amigo é câncer pra se guardar

É o caso que todos os amigos sejam uns cancros malignos, devendo ser extirpados o mais rápido possível. E mesmo se for só uma berruguinha, razões estéticas recomendam passar o bisturi.

Existe algo pior que uma típica foto de amigos, o pessoal de mãos nos ombros, a fazer pose, cheios de olhares, sorrindo? Existe, e a rodo, mas foge ao objetivo deste post.

E qual seria meu objetivo, afinal? -- morte exclusa. Pois bem: maldizer nossas nações amigas. Que ou nos exploram, ou nos vêm pedir ajuda. E tudo assim tão dissimuladamente, que até o povo começa a nos torrar o saco a respeito.


nação amiga exige atenção e a estatueta de coadjuvante

Dirá o leitor inteligente que também nós podemos explorar e suplicar por auxílio. Sem dúvida, sem dúvida, mas aonde essa promiscuidade de interesses nos levaria? A lugar nenhum. Ou por outra: à estagnação. A amizade é um caminho sem volta. Até que inexoravelmente te apunhalem pelas costas, mas isso é outra história, e fica a cargo de Rubens Ewald Filho contar -- ou Roque Santeiro, agora rebaixado a presidente.

Por ora, basta dizer -- e se não basta é o que vou fazer, de uma maneira ou de outra --, que muito melhor é ter uma nação inimiga. Que nos force a melhorar, a crescer, e, por fim, que nós possamos invadir. Menos para saciar os instintos primitivos do professor Leão, que para empregar esse monte de cartógrafos inúteis que formamos anualmente.

Eu tinha mais a dizer, mas paro. Só digo isso: em médio prazo, é melhor ser uma colônia penal inglesa, que uma colônia de povoamento portuguesa.

Exceto na época do Oscar, em que a gripe aviária mostra suas asinhas. Nada mais adequado que uma estátua transsexual para tal cerimônia. Embora um convite para que Elton John interpretasse todas as canções também fosse gesto apropriado à ocasião.

Posted by mozart at 12:33 PM